O dólar fechou a semana com uma alta de 0,8%, impulsionado principalmente pelas novas tarifas dos EUA
Redação 28/03/2025
Investidores analisavam dados de emprego no Brasil e de inflação nos EUA, enquanto navegam pela incerteza em relação às tarifas de Donald Trump.
A alta do dólar reflete o clima de precaução diante desses dados econômicos e das possíveis repercussões das políticas comerciais dos EUA, enquanto a estabilidade no fechamento diário aponta uma busca por um equilíbrio diante de fatores internos e externos.
A queda do Ibovespa foi impulsionada pela fraqueza das commodities no exterior e pelo declínio nos pregões de Nova York, fazendo o índice terminar a semana quase no zero a zero, após ter alcançado os 134 mil pontos.O dólar encerrou o dia com uma leve alta de 0,08%, cotado a R$ 5,7627 na venda, acumulando um ganho semanal de 0,82%.
Já a bolsa brasileira fechou em queda de 0,94%, aos 131.902,18 pontos, registrando perdas de 0,33% no acumulado da semana. Na véspera, o Ibovespa havia alcançado uma máxima de seis meses, superando os 133 mil pontos.
Esse desempenho reflete um cenário de volatilidade nos mercados, com pressões externas afetando tanto o mercado de ações quanto o de câmbio.
A taxa de desocupação no Brasil atingiu 6,8% no trimestre encerrado em fevereiro, conforme dados do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE). Isso representa uma alta de 0,7 ponto percentual em comparação com o trimestre anterior, que estava em 6,1%.
Quanto aos planos tarifários de Donald Trump, estes dominaram as discussões econômicas durante a semana. O presidente dos EUA forneceu novos detalhes sobre sua promessa de anunciar tarifas recíprocas (taxas para responder a barreiras impostas sobre produtos norte-americanos), com a previsão de anúncio oficial em 2 de abril.
No início da semana, Trump indicou a possibilidade de conceder descontos a alguns países, o que inicialmente estimulou o apetite pelo risco nos mercados de câmbio. No entanto, uma nova declaração na quarta-feira (26), na qual Trump detalhou um plano para implementar tarifas de 25% sobre importações de automóveis, gerou preocupações sobre uma guerra comercial global, afetando negativamente ativos de países emergentes, como o Brasil, que sofreram grandes perdas no mercado financeiro.
Esses fatores, juntamente com o cenário interno de aumento no desemprego, criaram um clima de incerteza econômica tanto para o mercado de trabalho quanto para os mercados financeiros.
Os analistas do BTG Pactual indicaram em um relatório que, caso as tarifas anunciadas por Donald Trump em 2 de abril sejam direcionadas apenas aos países com grandes déficits comerciais com os Estados Unidos ou aqueles que possuem uma participação relevante no comércio norte-americano, o Brasil provavelmente não será impactado inicialmente.
No entanto, se as tarifas forem aplicadas de forma mais generalizada a setores específicos, como já ocorreu anteriormente com o aço, ou se os critérios de Trump incluírem países com barreiras comerciais superiores às norte-americanas, o Brasil poderá ser diretamente afetado.
Esse cenário poderia intensificar as preocupações sobre uma guerra comercial global, colocando os países emergentes, como o Brasil, em uma posição vulnerável no comércio internacional. O impacto dependerá de como as tarifas serão estruturadas e quais países ou setores serão os alvos principais.
As tensões comerciais e a política tarifária de Donald Trump continuam a gerar preocupações nos mercados financeiros, pois há temores de que essas medidas possam não apenas acentuar a inflação nos EUA, mas também provocar uma recessão. Isso ocorre em um momento em que a maior economia do mundo já apresenta sinais de desaceleração econômica.
Até agora, Trump implementou uma série de tarifas, incluindo:
• Tarifa de 20% sobre produtos chineses
• Taxas de 25% sobre importações de aço e alumínio
• Tarifas de 25% sobre mercadorias do México e Canadá que violem as regras de um acordo comercial da América do Norte
Essas políticas comerciais geram um cenário de incertezas econômicas, que, por sua vez, podem afetar negativamente tanto o mercado interno dos EUA quanto os fluxos comerciais globais.
Além disso, dados recentes sobre a inflação no EUA indicam que o índice PCE (Personal Consumption Expenditures), a medida de inflação preferida do Federal Reserve, manteve sua alta mensal de 0,3% em fevereiro, com a taxa anual atingindo 2,5%, o que é o mesmo valor do mês anterior.
Esse cenário pode influenciar o mercado global, pois o Federal Reserve pode ajustar suas políticas monetárias em resposta a essas pressões inflacionárias, impactando ainda mais a economia global.
Os resultados vieram em linha com as projeções de analistas em pesquisa da Reuters.
O banco central dos EUA acompanha as medidas do PCE para sua meta de inflação de 2%. Na semana passada, o Fed deixou sua taxa de juros inalterada na faixa de 4,25% a 4,50%.
Desemprego no Brasil
Na cena doméstica, o IBGE reportou que a taxa de desemprego no Brasil ficou em 6,8% nos três meses até fevereiro, marcando um aumento em relação aos 6,5% registrados em janeiro. Esse número ficou em linha com as previsões feitas por analistas em uma pesquisa da Reuters.
Além disso, o Brasil registrou a criação de 431,9 mil vagas formais de trabalho em fevereiro, de acordo com dados do Cadastro Geral de Empregados e Desempregados (Caged), divulgados pelo Ministério do Trabalho e Emprego (MTE). Esse resultado reflete um avanço significativo na geração de empregos formais no país, embora a taxa de desemprego tenha mostrado um aumento.
Esses números refletem um cenário econômico em que a criação de empregos tem avançado, mas a taxa de desemprego ainda segue uma trajetória de flutuação, o que pode ser impactado por fatores internos e externos, como a inflação e as tensões comerciais globais.
Esse é o melhor resultado para o mês desde o início da série histórica, em 2002.