O dólar encerrou o dia 2 de abril em leve alta

Redação 02/04/2025

Nesse tipo de cenário, os investidores frequentemente buscam refúgio em ativos considerados mais seguros.

O dólar encerrou-se o dia 2 de abril em leve alta, mas ainda abaixo de R$ 5,70, com investidores adotando uma postura cautelosa diante das expectativas sobre o anúncio das tarifas recíprocas prometidas por Donald Trump. Esse movimento de prudência ocorreu no contexto de incertezas, levando a uma redução de posições em moedas latino-americanas, embora o dia tenha sido positivo para as commodities, com o petróleo e o minério de ferro se valorizando. O real se destacou entre as moedas da região, apresentando o melhor desempenho, enquanto o peso chileno e o colombiano sofreram as maiores quedas. Durante a manhã, o dólar até tentou continuar sua trajetória de queda, tocando a mínima de R$ 5,6610, mas inverteu a tendência após dados positivos de emprego e indústria nos EUA.

O dólar à vista fechou o pregão de quarta-feira, 2 de abril, em alta de 0,25%, cotado a R$ 5,6967, com máxima a R$ 5,7150. Embora tenha registrado essa alta no dia, a moeda acumula queda de 1,13% na semana e 7,82% no ano. O movimento de valorização foi impulsionado pela cautela do mercado, que aguardava o anúncio das tarifas recíprocas dos EUA. Como explica Cristiane Quartaroli, economista-chefe do Ouribank, os investidores estão em compasso de espera para entender quais países e setores serão impactados por essas tarifas.

Com o mercado spot já fechado, Donald Trump anunciou a imposição de uma tarifa geral de 10% sobre todas as importações dos EUA e uma tarifa de 25% para automóveis, com a intenção de aplicar a taxação de forma específica para cada país. No caso do Brasil, a tarifa será de no mínimo 10%. Isso fez o dólar futuro para maio cair para abaixo de R$ 5,69.

Em relação às moedas latino-americanas, o dólar teve alta, mas perdeu força frente ao euro e à libra, o que fez o índice DXY (que mede o desempenho do dólar frente a uma cesta de moedas) cair cerca de 0,40%, atingindo a mínima de 103,686 pontos. As taxas dos Treasuries subiram, com o rendimento da T-note de 10 anos voltando a tocar 4,20%.

Eduardo Velho, economista-chefe da Equador Investimentos, destacou que o impacto imediato da “guerra das tarifas” será mais sentido na inflação dos EUA do que na atividade econômica, o que sustenta a cautela do Federal Reserve, que tem sido mais conservador nas expectativas de corte de juros. Ele também alertou para o aumento do risco de estagflação nos EUA. Por outro lado, Ronaldo Patah, da UBS Wealth Management, acredita que o governo Trump calibrará as tarifas de modo a evitar uma recessão, mantendo o crescimento econômico e permitindo que o Fed corte juros ainda este ano.

No Brasil, o Banco Central divulgou que o fluxo cambial total de março até o dia 28 foi negativo em US$ 8,85 bilhões, devido à saída líquida de US$ 12,53 bilhões pelo canal financeiro. No ano, o saldo total é negativo em US$ 16,40 bilhões, apesar da entrada líquida de US$ 6,46 bilhões via comércio exterior. Mesmo com a entrada de recursos estrangeiros na B3, o fluxo cambial permanece negativo, conforme apontado por Velho.

A B3, por outro lado, teve um desempenho positivo em março, com um aporte líquido de R$ 3,12 bilhões por parte dos investidores estrangeiros, levando o saldo do primeiro trimestre a R$ 10,64 bilhões, a melhor marca dos últimos três anos.

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