Empresas de Campo Grande são suspeitas de descontos indevidos em aposentadorias do INSS


Redação 02/06/2025

Pelo menos quatro empresas com sede em Campo Grande (MS) estão sendo investigadas por realizar descontos indevidos em contas bancárias de aposentados e pensionistas do INSS.
Diferentemente das fraudes já investigadas pela Polícia Federal, esses descontos não eram realizados diretamente nos benefícios via INSS, mas sim por meio de débitos automáticos em conta corrente, após o depósito do valor do benefício.

As empresas são suspeitas de atuar nos ramos de seguros, serviços financeiros e clubes de benefícios, e estão associadas a uma prática de cobranças que não são reconhecidas pelos beneficiários. Em muitos casos, os aposentados afirmam nunca terem contratado qualquer serviço, alegam fraudes em assinaturas e, em diversas situações, enfrentam descontos múltiplos que somam até R$ 250 por mês.

Empresas envolvidas com sede em Campo Grande:

  • SP Gestão de Negócios
  • ZS Seguros e Serviços Financeiros
  • Investsul Prestadora de Serviços
  • Grêmio Recreativo e Esportivo aos Servidores Públicos (Gresp)

As quatro integram um grupo de nove empresas, segundo a Paulista Serviços e Recebimentos (Pserv), empresa de São Paulo responsável pela intermediação das cobranças. A Pserv é identificada nos extratos como “Pserv” e figura como uma das mais acionadas judicialmente — segundo o Conselho Nacional de Justiça (CNJ), são mais de 54 mil processos envolvendo empresas do grupo em todo o país.

O que dizem os envolvidos:

  • Pserv: Afirma ser apenas intermediária e responsabiliza as empresas contratantes. Diz que cancela contratos quando reclamações superam 5% da carteira de clientes.
  • SP Gestão de Negócios: Alega seguir a legislação brasileira em todos os procedimentos.
  • ZS Seguros: Declara que atua como intermediária tecnológica, sem relação direta com os consumidores.
  • Gresp: Afirma que apenas 0,5% dos associados apresentaram reclamações e que todos os termos de associação estão devidamente assinados.
  • Investsul: Não respondeu aos contatos feitos pelos veículos de imprensa.

Dados vazados e fragilidade bancária

A investigação aponta um possível acesso irregular aos dados bancários e pessoais dos beneficiários do INSS. Como os descontos são feitos diretamente nas contas após o pagamento do benefício, eles não aparecem no extrato do INSS, o que dificulta a rastreabilidade e controle dos valores descontados.

Além disso, a falta de confirmação dos titulares nas autorizações de débito automático — responsabilidade dos bancos — expõe falhas nos mecanismos de segurança das instituições financeiras.

Posicionamentos oficiais:

  • INSS e Dataprev: Afirmam que os dados são tratados com rigorosos critérios de segurança.
  • Febraban: Declara não compactuar com práticas abusivas e afirma que os bancos associados seguem todas as normas do Banco Central sobre débito automático.

Justiça

Nos processos judiciais, a maioria das empresas não apresenta provas claras da contratação ou anexou documentos com assinaturas questionadas como falsas por advogados dos aposentados. Ainda assim, as empresas alegam que as cobranças são legítimas e referem-se a seguros e adesões voluntárias a clubes de benefícios.

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