Fechamento da USF Nova Esperança preocupa moradores e profissionais da saúde em Campo Grande

Redação 05/06/2025

A Unidade de Saúde da Família (USF) Nova Esperança, localizada na Rua Anhumas, em Campo Grande, está prestes a encerrar suas atividades. O contrato de aluguel do imóvel onde funciona desde 2014 vence no dia 30 de junho, e a Prefeitura não chegou a um acordo com o proprietário sobre o reajuste proposto no valor do aluguel.

O dono do imóvel solicitou aumento de R$ 1.312,35, elevando o valor atual de R$ 1.687,65 para cerca de R$ 3 mil. Embora ele tenha demonstrado disposição para negociar — aceitando um reajuste de aproximadamente R$ 1 mil —, a Secretaria Municipal de Saúde (Sesau) optou por não renovar o contrato. A medida obriga o remanejamento dos serviços e atendimentos da USF para a unidade do Jockey Club, a cerca de 2 quilômetros de distância.

População teme retrocesso e superlotação

A decisão tem gerado grande preocupação entre usuários e trabalhadores. Atualmente, a USF Nova Esperança realiza cerca de 80 atendimentos por dia, beneficiando uma população de 9 mil pessoas com agilidade e estrutura adequada. A auxiliar de limpeza e paciente Vânia Pinheiro, de 62 anos, classifica a mudança como um retrocesso. “Criaram essa unidade justamente porque o Jockey Club já não comportava a demanda em 2014. Agora querem voltar atrás.”

Funcionários da saúde alertam para a sobrecarga iminente da USF Jockey Club, que já atende cerca de 20 mil pessoas com estrutura para apenas quatro equipes. Com a transferência das duas equipes da Nova Esperança, faltariam salas e condições adequadas. “As duas médicas daqui já disseram que não vão, e com razão, porque nem tem onde elas trabalharem lá”, afirmou Vânia.

Impactos para pacientes vulneráveis

A distância entre as duas unidades, apesar de curta, pode representar uma barreira para os mais vulneráveis. “A maioria da população atendida tem mais de 60 anos. Já têm dificuldade de chegar aqui, imagina andar ainda mais”, destacou Thiago Ribeiro, coordenador do Conselho Local de Saúde do bairro.

Moradores também temem a piora no acesso aos atendimentos. Ana Paula Cândido, de 35 anos, que conseguiu marcar uma consulta odontológica com facilidade na Nova Esperança, relata que a realidade no Jockey Club é bem diferente. “Lá o povo dorme na fila para conseguir atendimento.”

Obra da USF Parati atrasada

Como solução futura, a Sesau aponta a construção da nova USF Parati, que deve atender parte da demanda atual da Nova Esperança. A obra tem orçamento de R$ 3,1 milhões e prazo contratual de 540 dias, mas já está atrasada. A previsão de entrega, inicialmente para o fim de 2024, foi prorrogada para o primeiro semestre de 2026.

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