Ciclista é atropelado em Terenos e enfrenta demora de quase 2h por atendimento em hospital superlotado


Redação 08/06/2025

O caminhoneiro Ricardo Luiz Oliveira, de 47 anos, sofreu um atropelamento na manhã de domingo (8) enquanto participava de um passeio de bicicleta em Terenos, a 30 km de Campo Grande (MS). O acidente aconteceu na entrada da cidade e, segundo testemunhas, o veículo responsável — uma Volkswagen Saveiro preta — fugiu sem prestar socorro.

Ricardo foi socorrido por populares, inconsciente, e levado à unidade de saúde local, onde passou por exames iniciais. Devido à gravidade das lesões, o médico plantonista recomendou transferência imediata para a Santa Casa de Campo Grande, a fim de realizar uma tomografia. Sem ambulância disponível em Terenos, a própria família teve que fazer o transporte.

Demora e desespero no hospital

Ao chegar à Santa Casa, mesmo com feridas expostas e fortes dores, Ricardo foi classificado com pulseira verde — caso de menor urgência — e esperou cerca de 1h40 para receber atendimento. A filha do ciclista, Maria Eduarda, relatou o desespero.

“Ele estava morrendo de dor e implorei por uma maca. Disseram que, por ser pulseira verde, não havia o que fazer.”

A reportagem tentou contato com a Santa Casa, mas não houve retorno até o fechamento desta matéria.

Superlotação crônica e crise na Santa Casa

O caso de Ricardo expõe novamente a crise da saúde pública em Campo Grande, especialmente na Santa Casa, que desde março opera em situação de superlotação e desabastecimento.

No dia 24 de março, a instituição comunicou oficialmente que não teria mais condições de receber novos pacientes. Em 23 de maio, o hospital bloqueou os prontos-socorros adulto e infantil, agravando o caos no atendimento.

O caso mais emblemático da crise foi a morte da menina Sophie Emanuelle Viana, de 5 anos, após três dias internada na unidade. A família denunciou negligência médica, o que gerou pressão popular e política para a abertura de uma CPI na Câmara Municipal.

Estrutura precária

Campo Grande tem 3.120 leitos hospitalares, mas apenas 58% são destinados ao SUS. A situação é ainda mais alarmante na pediatria: são apenas 111 leitos para mais de 85 mil crianças de até seis anos — média de 1 leito para cada 766 crianças.

Mesmo entre adultos, os números estão abaixo do ideal. Segundo a OMS, o recomendado é de 3 a 5 leitos por mil habitantes, índice que a capital sul-mato-grossense não atinge.

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