Médica é agredida com soco por paciente dentro de UPA em Campo Grande

Redação 16/05/2025
Uma médica de 29 anos foi agredida com um soco no rosto por uma paciente dentro da UPA (Unidade de Pronto Atendimento) das Moreninhas, em Campo Grande, na noite do último sábado (14). A profissional, que preferiu não ser identificada, contou que a agressão ocorreu após informar que exames laboratoriais de rotina não são realizados na unidade e devem ser feitos nas UBSFs (Unidades Básicas de Saúde da Família).
Segundo relato da médica, a paciente solicitou exames alegando que não os fazia há muito tempo. Ao receber a explicação de que o procedimento deve ser feito na atenção primária, a mulher se exaltou, passou a gritar, proferir xingamentos e fazer ameaças.
“Ela me chamou de psicopata, disse que queria quebrar o computador na minha cabeça, falou que pagava meu salário e que eu era obrigada a fazer o que ela queria”, relatou. A médica afirmou ainda que a mãe da paciente tentou intervir, pedindo que ela apenas prescrevesse uma medicação para a queixa atual.
Diante da situação, a médica se retirou da sala e comunicou o ocorrido à assistente social e ao regulador de fluxo da unidade, solicitando que outro profissional assumisse o atendimento. Ao retornar para informar a paciente, foi surpreendida pela agressão.
“Ela disse ‘ah, você não vai me atender?’ e, quando me sentei na cadeira, levantou e me deu um soco no rosto. A mãe segurou ela, que ainda tentou me agredir mais vezes. Consegui sair pela porta de emergência e chamei os guardas da unidade”, relatou.
A profissional precisou interromper o plantão noturno e foi à delegacia registrar boletim de ocorrência. O caso mobilizou o SinMed-MS (Sindicato dos Médicos de Mato Grosso do Sul), que prestou apoio à médica e denunciou a insegurança enfrentada por profissionais da saúde em unidades da Capital.
Agressões em alta
O presidente do sindicato, Marcelo Santana Silveira, lamentou o episódio e alertou para os riscos recorrentes enfrentados pelos médicos. “A médica ficou abalada e com medo. Isso mostra que a prefeitura não está garantindo a segurança dos profissionais, o que nos preocupa muito. Não podemos esperar que aconteça algo ainda pior”, afirmou.
Silveira também destacou que muitas agressões — físicas e verbais — sequer são registradas. “Orientamos que todo profissional que for vítima de violência vá até uma delegacia e acione o sindicato. Só assim conseguiremos pressionar por medidas de proteção.”
Segundo dados do CFM (Conselho Federal de Medicina), mais de 40 mil boletins de ocorrência por agressões a médicos foram registrados no Brasil na última década. Só em 2024, Mato Grosso do Sul já soma 134 registros, ocupando a 10ª posição no ranking nacional.
Apoio da Sesau
A Secretaria Municipal de Saúde informou que, após o episódio, a equipe da unidade também registrou boletim de ocorrência. Conforme a política da pasta, a profissional foi acolhida e passou por escuta com psicólogos e psiquiatras, como parte do atendimento aos servidores vítimas de violência.
A reportagem tentou contato com a paciente envolvida, mas não obteve retorno até o momento.


