Dólar fecha em queda de 0,28% e atinge menor valor desde junho


Redação 03/07/2025

O dólar à vista encerrou a sessão desta quinta-feira (3) em queda de 0,28%, cotado a R$ 5,4050, no menor valor de fechamento desde 24 de junho (R$ 5,3904). A moeda oscilou próxima da estabilidade durante a tarde, mas recuou na última hora de negociação.

Segundo operadores, o movimento foi influenciado por possível entrada de fluxo estrangeiro na bolsa e na renda fixa, além da liquidez reduzida com o feriado de 4 de julho nos Estados Unidos, que fecha os mercados nesta sexta-feira.

Cenário externo: dados fortes nos EUA e Fed cauteloso

O mercado reagiu a dados sólidos do mercado de trabalho americano, que reduziram as chances de corte de juros pelo Federal Reserve (Fed) neste mês. O relatório de emprego (payroll) apontou a criação de 147 mil vagas em junho, acima das projeções (110 mil), além de queda na taxa de desemprego (de 4,2% para 4,1%) e alta salarial.

Apesar disso, o dólar perdeu força frente a moedas emergentes, impulsionado pela valorização de commodities, como o minério de ferro, e sinais de recuperação da economia chinesa.

O presidente do Fed de Atlanta, Raphael Bostic, afirmou que “há espaço para esperar” antes de qualquer mudança na política monetária, diante da incerteza em relação às tarifas e à política fiscal americana.

Real e emergentes em alta

O real e o peso mexicano foram destaque entre as moedas que mais se valorizaram, puxados pela entrada de capital estrangeiro e pelo apetite global por risco. A Bolsa brasileira também reagiu bem e ficou próxima dos 141 mil pontos.

Para Luciano Costa, economista-chefe da Monte Bravo, o Brasil segue atraente por conta do carrego positivo da moeda e das perspectivas para emergentes em meio ao enfraquecimento gradual do dólar.

Perspectivas e projeções

A XP Investimentos revisou sua projeção de dólar para o fim de 2025 de R$ 5,80 para R$ 5,50. A economista Luíza Pinese aponta que o real se beneficiou da postura firme do Banco Central, da desvalorização global do dólar e da expectativa de reformas fiscais a partir de 2027, após as eleições presidenciais.

No entanto, a XP alerta para riscos persistentes, como a fragilidade fiscal interna e o balanço de pagamentos mais fraco, além de possíveis impactos de tensões geopolíticas internacionais.

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