Tarifa de 50% dos EUA paralisa exportações de tilápia e pressiona mercado interno em MS


Redação 17/07/2025

Com nova taxação a partir de 1º de agosto, produtores perdem contratos e são forçados a redirecionar toneladas de pescado ao mercado nacional

A imposição de uma tarifa de 50% sobre as exportações de pescados para os Estados Unidos ameaça paralisar completamente as vendas internacionais de tilápia produzida em Mato Grosso do Sul — um dos cinco estados que mais exportam o produto no país. A nova medida entra em vigor a partir de 1º de agosto, segundo anúncio das autoridades norte-americanas.

De acordo com a Peixe BR (Associação Brasileira de Psicultura), o mercado norte-americano é o principal destino da tilápia filetada brasileira, e MS se destaca entre os maiores exportadores. Em 2024, o estado já embarcou 438,9 toneladas, totalizando US$ 1,72 milhão em receitas com filés e outras carnes congeladas, frescas ou refrigeradas.

Cargas devolvidas e contratos cancelados

A medida já tem impactos imediatos. Segundo a Abipesca (Associação Brasileira das Indústrias de Pescados), pelo menos 58 contêineres com 1.160 toneladas de pescado perderam os compradores nos EUA e precisarão ser devolvidos aos produtores brasileiros.

Diante do cenário, a associação pede ao governo federal que priorize a abertura do mercado europeu como alternativa para escoar a produção, além de tentar negociar a prorrogação do prazo da tarifa, como forma de mitigar os prejuízos aos contratos já firmados.

Governo de MS cobra solução e teme colapso no setor

O secretário estadual de Meio Ambiente, Desenvolvimento, Ciência, Tecnologia e Inovação, Jaime Verruck, afirmou que a cadeia produtiva será fortemente impactada e que a situação já afeta a logística e a programação das empresas:

“Hoje, exportar não é mais viável. Se o produto não chegar aos EUA antes do dia 1º de agosto, será taxado. E ninguém no Brasil consegue ser competitivo com um acréscimo de 50% no custo. Esse pescado vai ter que ser jogado no mercado interno”, explicou Verruck.

Segundo ele, a superoferta interna pode gerar desequilíbrio, e o reposicionamento para novos mercados não será imediato. A principal reivindicação do Estado, no momento, é a retirada da tarifa ou ao menos uma prorrogação, para garantir o cumprimento de contratos já em curso.

Concorrência interna preocupa frigoríficos

Frigoríficos que operam exclusivamente no mercado nacional também sentem os reflexos. É o caso da Best Fish, em Mato Grosso do Sul, cujo proprietário, Heser Fagundes, expressa receio quanto ao aumento da concorrência local:

“Nós não exportamos para os EUA, mas quem exporta vai ser forçado a entrar no mercado interno. Isso aumenta a competição. Estamos torcendo para que pelo menos os insumos fiquem mais baratos”, afirmou.

EUA dominam mercado externo brasileiro de pescado

Os Estados Unidos são destino de 70% de todo o pescado exportado pelo Brasil, e no caso específico da tilápia, representam 90% do mercado internacional brasileiro, conforme dados da Abipesca. Só entre janeiro e setembro do ano passado, os norte-americanos compraram US$ 37,5 milhões em tilápia brasileira.

A mudança repentina ameaça paralisar as exportações, prejudicar empregos e desestabilizar toda a cadeia da aquicultura, que se consolidou nos últimos anos como alternativa econômica sustentável em diversas regiões do país, especialmente no Centro-Oeste.

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