TJMS cria comitê e estabelece regras para uso ético da Inteligência Artificial no Judiciário


Redação 17/07/2025

Medida visa garantir segurança, transparência e responsabilidade no uso de tecnologias como IA generativa por servidores e colaboradores da Justiça sul-mato-grossense

Em sessão realizada nesta quarta-feira (16), o Tribunal de Justiça de Mato Grosso do Sul (TJMS) aprovou a criação de diretrizes para o uso da Inteligência Artificial (IA) e instituiu o Comitê de Governança e Ética para Projetos de Inteligência Artificial. A iniciativa segue orientações do Conselho Nacional de Justiça (CNJ) e busca garantir a utilização segura, ética e responsável dessas tecnologias no âmbito do Judiciário estadual.

A crescente presença da IA generativa, capaz de produzir textos, imagens, vídeos e áudios a partir de comandos dos usuários, motivou o presidente do TJMS, desembargador Dorival Renato Pavan, a propor o conjunto de medidas. A regulamentação está alinhada com as Resoluções CNJ nº 332/2020 e nº 615/2025, que tratam da governança, ética e transparência na aplicação de IA no Judiciário brasileiro.

Supervisão humana, proteção de dados e restrição ao uso de ferramentas externas

As novas diretrizes são aplicáveis a servidores, estagiários, terceirizados e colaboradores — inclusive os sem vínculo direto com o Tribunal — que desenvolvam ou utilizem sistemas de IA vinculados ao TJMS. Entre os princípios estabelecidos estão:

  • Supervisão humana obrigatória dos resultados produzidos por sistemas de IA;
  • Proibição de inserção de dados pessoais ou sigilosos em plataformas externas, como o ChatGPT, sem autorização formal;
  • Vedação ao uso de e-mails e senhas institucionais para criar contas em ferramentas de IA externas;
  • Obrigatoriedade de uso apenas de soluções tecnológicas previamente aprovadas pela Secretaria de Tecnologia da Informação (STI);
  • Conformidade com a Lei Geral de Proteção de Dados (LGPD) e respeito à privacidade e aos direitos dos titulares de dados.

Além disso, a resolução ressalta a necessidade de garantir transparência, imparcialidade, segurança e responsabilidade em todas as aplicações desenvolvidas com IA.

Comitê de Ética e Governança será responsável por avaliar riscos e promover capacitações

Com a nova regulamentação, o TJMS também instituiu o Comitê de Governança e Ética para Projetos de Inteligência Artificial, responsável por:

  • Avaliar a conformidade ética dos projetos de IA;
  • Analisar riscos éticos, sociais ou discriminatórios;
  • Emitir pareceres sobre impactos algorítmicos;
  • Garantir o cumprimento das normas nacionais de regulação da IA no Judiciário;
  • Propor ações de capacitação e formação ética para magistrados e servidores;
  • Apoiar parcerias com instituições de pesquisa, com foco em inovação e segurança no uso de IA e ciência de dados.

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