Tarifas de Trump ameaçam exportações brasileiras de suco de laranja, café, carne bovina e frutas frescas

Redação 20/07/2025
Medida pode comprometer o agronegócio do Brasil e gerar desequilíbrio de mercado, alertam pesquisadores do Cepea/USP
A decisão do presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, de impor uma tarifa de 50% sobre todos os produtos brasileiros exportados ao país pode gerar sérios impactos sobre o agronegócio nacional. O alerta é do Centro de Estudos Avançados em Economia Aplicada (Cepea), da Esalq/USP, que aponta prejuízos diretos para setores como suco de laranja, café, carne bovina e frutas frescas.
De acordo com os pesquisadores, o produto mais vulnerável é o suco de laranja, que já sofre uma tarifa fixa de US$ 415 por tonelada para entrar no mercado americano. A aplicação da nova taxa comprometeria seriamente a competitividade do Brasil no segundo maior destino do suco brasileiro, justamente no momento em que o país prevê uma safra robusta de 314,6 milhões de caixas, 36,2% acima da anterior.
Café e carne bovina também sob risco
O café brasileiro, especialmente da variedade arábica, é essencial para a indústria de torrefação dos EUA, que não produz o grão internamente. Atualmente, cerca de 25% do café consumido pelos americanos é importado do Brasil. O Cepea adverte que a tarifa pode desestabilizar toda a cadeia local de abastecimento, com reflexos nas torrefadoras, cafeterias e varejo. “A exclusão do café do pacote tarifário é estratégica para os dois países”, afirma Renato Ribeiro, pesquisador do setor no Cepea.
Já a carne bovina pode enfrentar dificuldades em manter seu desempenho atual nos EUA, que representam o segundo maior comprador do produto brasileiro, atrás apenas da China. Empresas americanas foram responsáveis por 12% das exportações entre março e abril, com compras acima de 40 mil toneladas/mês, o que indica um movimento preventivo do setor diante da ameaça tarifária. Estados como São Paulo, Goiás e Mato Grosso do Sul são os principais exportadores de carne para o mercado norte-americano.
Frutas frescas enfrentam incertezas
O impacto também chega ao setor de frutas frescas, principalmente mangas e uvas, cujas janelas críticas de exportação aos EUA se iniciam entre agosto e setembro. Já há relatos de embarques postergados e produtores preocupados com o possível excesso de oferta no mercado interno, caso as exportações não ocorram conforme o previsto.
“A projeção otimista de aumento nas exportações foi substituída por incertezas. A tendência é de pressão nos preços pagos ao produtor”, explicou Lucas de Mora Bezerra, pesquisador do Cepea.
Diplomacia é essencial, diz Cepea
Diante do cenário, os especialistas do Cepea defendem uma articulação diplomática urgente entre os governos para reverter ou mitigar os efeitos da medida. “Essa revisão tarifária é estratégica não apenas para o Brasil, mas também para os Estados Unidos, cuja segurança alimentar e competitividade agroindustrial dependem do fornecimento brasileiro”, conclui a nota da entidade.


