Tarifas dos EUA derrubam preços de commodities brasileiras antes mesmo de entrarem em vigor

Redação 24/07/2025
Carne, café e laranja caem no atacado nacional, enquanto consumidores norte-americanos já enfrentam alta nos preços
Mesmo antes de serem aplicadas, as novas tarifas de importação dos Estados Unidos já impactam o mercado brasileiro. Os preços de carne bovina, laranja e café, principais commodities exportadas aos EUA, registraram queda no atacado nacional nos últimos dias, segundo o CEPEA (Centro de Estudos Avançados em Economia Aplicada), da Esalq/USP. Em contrapartida, os mesmos produtos seguem em alta nos supermercados norte-americanos.
O maior recuo foi registrado no boi gordo. O índice CEPEA em dólar caiu 8,05% em julho, com a arroba passando de US$ 58 para US$ 53,20 até o dia 23. A caixa de laranja (40,8 kg) caiu 5%, passando de US$ 8 para US$ 7,60, no preço pago à indústria processadora. Já o café arábica recuou 4,18%, enquanto o robusta teve queda de 11,41% no acumulado do mês.
Café sob pressão tarifária
O café arábica, principal tipo consumido nos EUA e produto em que o Brasil lidera as exportações mundiais, é um dos mais afetados pelas incertezas. A nova tarifa anunciada pelo governo americano elevará a taxação do produto de 10% para 50% a partir de 1º de agosto.
O impacto será desigual entre os países exportadores. Enquanto o Brasil, que abastece cerca de 1/3 do consumo americano, será afetado, a Colômbia, segundo maior fornecedor (com 20% do mercado), seguirá isenta da cobrança, assim como outros países que mantêm acordos preferenciais com os EUA. Já o Vietnã, grande exportador de café robusta, enfrentará tarifa de 20%.
Alta nos EUA pode pressionar inflação
Do outro lado da cadeia, os preços ao consumidor nos EUA já vinham em alta antes mesmo do anúncio tarifário. Dados do índice de preços ao consumidor (CPI) mostram que, em junho, a carne moída subiu 1,4% no mês e 9% no acumulado do ano. A laranja teve alta de 4,4% e o café, de 2,2% no mesmo período.
Com a entrada em vigor das tarifas em 1º de agosto, analistas apontam que a carne bovina pode se tornar o novo “vilão da inflação” americana, substituindo os ovos, que dispararam nos últimos meses devido à gripe aviária.


