Mesmo com tensão comercial, dólar recua e Bolsa sobe com expectativa de corte nos juros dos EUA

Redação 06/08/2025
A tensão diplomática entre Brasil e Estados Unidos ganhou um novo capítulo nesta quarta-feira (6) com a entrada em vigor da tarifa de 50% sobre produtos brasileiros, imposta pelo governo Trump. Apesar do cenário desfavorável ao comércio exterior, o mercado financeiro brasileiro teve um dia positivo.
- Dólar comercial caiu 0,78%, fechando a R$ 5,46
- Ibovespa subiu 1,04%, encerrando aos 134.568 pontos
O desempenho foi impulsionado pela expectativa de que o Federal Reserve (Fed), banco central dos EUA, corte os juros básicos já em setembro. Juros mais baixos nos Estados Unidos tendem a atrair capital para países emergentes, como o Brasil, favorecendo o câmbio e o mercado de ações.
Disputa comercial se acirra
O Brasil acionou a Organização Mundial do Comércio (OMC) contra a medida norte-americana, classificando o aumento das tarifas como violação dos compromissos internacionais assumidos pelos EUA. A sobretaxa atinge setores estratégicos da economia nacional, com destaque para a agroindústria.
Mato Grosso do Sul, por exemplo, deve sentir fortemente os efeitos, já que produtos como carne bovina in natura, sebo e óleos de origem animal estão entre os taxados — e juntos somam grande parte das exportações do estado aos EUA.
Enquanto isso, o governo estadual descarta medidas próprias e aguarda ação da União.
Governo federal promete apoio a exportadores
O ministro da Fazenda, Fernando Haddad, anunciou a preparação de um pacote de ajuda às empresas afetadas, com linhas de crédito e estímulo a compras públicas. Haddad também confirmou uma reunião com o secretário do Tesouro dos EUA, Scott Bessent, para discutir a crise comercial.
Outros dados econômicos
- Superávit da balança comercial em julho: US$ 7,075 bilhões (queda de 6,3% em relação a julho/2024)
- Déficit com os EUA: US$ 559 milhões no mês — o sétimo consecutivo
- Dólar acumula queda de 2,46% em agosto e 11,6% no ano
- Ibovespa sobe 1,59% na semana, 1,10% no mês e 11,85% em 2025


