Dólar fecha abaixo de R$ 5,30 e emenda cinco quedas seguidas

Redação 16/09/2025
O dólar encerrou esta terça-feira (16) em queda de 0,44%, cotado a R$ 5,2981, no menor nível desde 6 de junho de 2024. Foi o quinto pregão consecutivo de baixa, período em que a moeda acumula perda de 2,54%. No ano, a desvalorização já chega a 14,27%.
O movimento acompanhou o enfraquecimento global da moeda americana, com o índice DXY — que mede o desempenho do dólar frente a divisas fortes, como o euro — caindo 0,60% e rompendo o piso de 97 mil pontos. O real teve desempenho positivo, mas abaixo de outras moedas latino-americanas, como o peso mexicano e o chileno.
Super Quarta no radar
Investidores mantêm expectativa de que o Federal Reserve reduza os juros dos EUA em pelo menos 0,25 ponto percentual nesta quarta-feira, com apostas de corte total de 0,75 ponto até o fim do ano. A decisão do Copom, também marcada para amanhã, deve manter a Selic em 15% ao ano, o que favorece operações de carry trade e fortalece a moeda brasileira.
No Brasil, o mercado de trabalho segue aquecido: segundo o IBGE, a taxa de desemprego caiu para 5,6% no trimestre encerrado em julho, a menor desde 2012. Para analistas, esse cenário reforça a leitura de que o BC deve adiar o início do ciclo de cortes da Selic para janeiro de 2026.
Visão de mercado
O economista Luciano Costa, da Monte Bravo, avalia que a comunicação do Copom pode começar a sinalizar cortes apenas na virada do ano:
“Por enquanto, o mercado de trabalho e a inflação de serviços justificam a manutenção da Selic em 15%.”
Já Daniel Weeks, da Safra Asset, e Carlos Viana, da Kapitalo, veem fluxo contínuo para emergentes diante do enfraquecimento estrutural do dólar, com expectativa de que os juros americanos recuem de 4,5% para 3,75% nos próximos meses.
Política e fiscal
No noticiário doméstico, o presidente da CAE, senador Renan Calheiros (MDB-AL), anunciou que pautará na próxima terça-feira (23) o projeto que limita a dívida da União e um texto alternativo de isenção de IR para salários até R$ 5 mil.
Na reta final do pregão, a notícia de que o ex-presidente Jair Bolsonaro foi levado ao hospital em Brasília mexeu nos juros futuros curtos, mas teve pouco efeito sobre o dólar.


