Adolescente espera quase 11 horas por atendimento após acidente de bicicleta em Campo Grande

Redação 18/09/2025
Uma moradora de Campo Grande relatou momentos de angústia após a filha, de 13 anos, sofrer um acidente de bicicleta e enfrentar quase 11 horas de espera até receber diagnóstico e medicação para dor. A adolescente caiu e bateu a região da pélvis, sendo diagnosticada apenas à noite com quatro fraturas.
O acidente ocorreu por volta das 11h40 da manhã. A mãe levou a filha até a UPA do Leblon, onde ela foi classificada como ficha laranja (prioridade média). O atendimento, porém, só começou por volta das 13h30, quando foi informado que o aparelho de raio-x da unidade estava quebrado.
Segundo a mãe, a médica plantonista afirmou que seria preciso optar entre assumir a responsabilidade de retirar a adolescente da UPA ou aguardar uma vaga regulada para a Santa Casa, o que poderia demorar até dois dias.
“É inadmissível que uma cidade com quase 1 milhão de habitantes tenha apenas uma UPA com raio-x funcionando”, desabafou.
Diante da situação, ela decidiu buscar atendimento por conta própria no CRS Tiradentes, onde relatou ter sido bem recebida na recepção, mas criticou a postura de uma funcionária do setor de raio-x, que teria sido ríspida mesmo diante da gravidade do caso.
O exame foi realizado apenas no fim da tarde, e o laudo médico só foi liberado por volta das 22h20, após insistência junto à assistência social. “É desumano deixar uma criança com fraturas esperando por tanto tempo. Só consegui porque questionei. E quem não pode? Quem não tem voz?”, disse a mãe, emocionada.
Apesar das falhas, ela elogiou o atendimento de um médico e dois enfermeiros do CRS, destacando a sensibilidade e o profissionalismo da equipe.
A mãe também chamou atenção para a sobrecarga enfrentada pelos profissionais de saúde:
“Depois vemos notícias de médicos se suicidando por exaustão. A estrutura é falha, a gestão é falha, e quem sofre somos nós e os próprios profissionais.”
A reportagem procurou a Secretaria Municipal de Saúde (Sesau) para comentar o caso, mas não obteve resposta até a publicação. O espaço segue aberto para manifestação.


