Dólar sobe pelo segundo dia seguido e fecha acima de R$ 5,36 com dados fortes dos EUA


Redação 26/09/2025

O dólar engatou nesta quinta-feira (25) o segundo pregão consecutivo de alta firme no mercado local, superando a linha de R$ 5,35, em sintonia com o fortalecimento da moeda norte-americana no exterior. Divisas emergentes, em especial as latino-americanas, recuaram diante do avanço das taxas dos Treasuries curtos após indicadores mais fortes da economia dos Estados Unidos e declarações cautelosas de dirigentes do Federal Reserve (Fed) reduzirem as apostas em cortes agressivos de juros nos próximos meses.

O real, que costuma ser mais penalizado em cenários de aversão ao risco, acompanhou as perdas dos pares emergentes. Analistas avaliam que a expectativa de início do ciclo de cortes de juros no Brasil apenas em 2026 ajuda a limitar a desvalorização da moeda brasileira.

No campo doméstico, o IPCA-15 de setembro veio abaixo das estimativas, com melhora qualitativa que sugere menor risco inflacionário. Por outro lado, o Relatório de Política Monetária (RPM) reforçou o tom duro já presente no comunicado e na ata do Comitê de Política Monetária (Copom), sinalizando juros elevados por período prolongado.

Depois de breve queda na abertura, o dólar firmou alta durante toda a sessão. Na máxima do dia, chegou a R$ 5,3714, encerrando o pregão em alta de 0,69%, a R$ 5,3644 — maior valor de fechamento desde 11 de setembro (R$ 5,3922). No acumulado das duas últimas sessões, a moeda avançou 1,61%.

Embora tenham circulado rumores sobre a possível desistência do governador de São Paulo, Tarcísio de Freitas, de disputar a Presidência em 2026, operadores afirmam que os ruídos políticos não tiveram impacto relevante na taxa de câmbio, mais atrelada ao movimento internacional.

Pela manhã, a terceira leitura do PIB dos EUA no segundo trimestre apontou alta anualizada de 3,8%, acima da leitura anterior e da projeção de 3,3%. O índice de preços de gastos com consumo (PCE) e seu núcleo também vieram mais fortes do que o esperado.

“Esses dados contradizem a expectativa de cortes mais agressivos de juros pelo Fed, sugerindo que a economia americana pode estar em condições mais robustas do que indicavam os números do mercado de trabalho”, avalia André Valério, economista-sênior do Banco Inter.

O Dollar Index (DXY), que mede a força do dólar frente a uma cesta de seis moedas fortes, voltou a superar os 98 mil pontos, chegando à máxima de 98.605. A T-note de 2 anos, título do Tesouro americano mais sensível à política monetária, avançou mais de 1%, batendo 3,67%.

Segundo Cristiane Quartaroli, economista-chefe do Ouribank, a alta global da moeda reflete a revisão das apostas sobre a trajetória de juros nos EUA: “Os indicadores vieram fortes, o que leva parte do mercado a reduzir as projeções de cortes ainda neste ano”.

Para Valério, do Inter, o Fed deve iniciar a flexibilização monetária apenas em dezembro, diante da resiliência da economia e de pressões inflacionárias persistentes, em parte ligadas às tarifas impostas pelo governo Trump. “Nesse contexto, o dólar pode recuperar parte das perdas recentes e continuar pressionando moedas emergentes”, afirma.

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