Cavalgada de Arapuá completa 20 anos e celebra a força da cultura sertaneja em Três Lagoas


Redação 14/10/2025

Há duas décadas, o pequeno distrito de Arapuá, em Três Lagoas, se transforma em um retrato vivo da tradição sertaneja com a Cavalgada de Arapuá — evento que celebra o homem do campo e mantém viva a cultura rural em Mato Grosso do Sul. Criada em 2005 por Ângelo Guerreiro, a festa começou de forma simples, com poucos participantes e estrutura improvisada, mas hoje é um dos maiores encontros de comitivas do Estado.

“Eu trabalhava fabricando utensílios para o homem do campo e senti que precisava fazer algo para valorizá-los”, lembra Guerreiro, idealizador da cavalgada. “A primeira foi com grande dificuldade, mas a cada edição fomos aprendendo e melhorando. Ela foi ganhando corpo ao longo dos anos”, conta.

A primeira edição aconteceu em 14 de dezembro de 2005, com barracas de lona, fogão improvisado e muita vontade de celebrar a vida no campo. Com o passar dos anos, o evento foi transferido para setembro, fugindo do período chuvoso, e acabou fixando-se na segunda semana do mês, atraindo visitantes de várias cidades.

A festa começa no sábado à noite, com a tradicional cozinha de comitiva. “A gente começa a cozinhar às seis da tarde e, quando dá quatro ou cinco da manhã, já está tudo pronto para receber o pessoal”, relata Guerreiro, que organizou a cavalgada até 2024. No cardápio, arroz temperado, feijão tropeiro, puxeiro e carne frita no tacho são preparados em tachos gigantes para milhares de visitantes.

No domingo, as comitivas percorrem as ruas do distrito, em um espetáculo de tradição e fé. Em algumas edições, mais de 2.400 cavaleiros já participaram. “Começou pequeno e virou algo que representa nossa região. Hoje, vêm grupos de cidades de São Paulo e de várias partes de Mato Grosso do Sul”, destaca o criador.


O crescimento foi tão expressivo que, em 2022, a Cavalgada de Arapuá foi incluída no Calendário Oficial de Eventos de Mato Grosso do Sul. A edição de 2025 reuniu mais de 11 mil pessoas, com shows regionais e nacionais, transporte gratuito e estrutura profissional — sem perder a essência de um encontro familiar e comunitário.

Mesmo com a grandiosidade, Ângelo faz questão de manter o jeito simples que marcou o início. “Eu, minha esposa e alguns amigos ainda cuidamos da cozinha. Tenho um caminhão-baú só para carregar panelas, tachos e as tralhas. É tradição, é cultura, é o nosso modo de celebrar o campo”, resume.

O sucesso da cavalgada ultrapassou fronteiras e inspirou outras cidades. Guerreiro já colaborou com eventos semelhantes em Selvíria, Brasilândia e até no interior de São Paulo. “Este ano vou para Presidente Bernardes cozinhar para mais de 3.500 pessoas. É bonito ver a cultura se espalhando”, comemora.

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