Dólar cai 0,35% e fecha a R$ 5,44 com enfraquecimento global da moeda americana

Redação 16/10/2025
O real perdeu parte do fôlego ao longo da tarde desta quinta-feira (16), mas encerrou o dia em alta pelo segundo pregão consecutivo frente ao dólar. A moeda norte-americana caiu 0,35%, cotada a R$ 5,4431, após atingir mínima de R$ 5,4218 e máxima de R$ 5,4588. Na semana, o dólar acumula queda de 1,10%, mas ainda sobe 2,26% em outubro.
O movimento foi influenciado pela fraqueza global do dólar, diante das expectativas de novos cortes de juros pelo Federal Reserve (Fed) e da desaceleração da economia dos Estados Unidos. Também pesou o alívio nas tensões comerciais após a confirmação de um encontro entre Donald Trump e Xi Jinping, previsto para o fim do mês na Coreia do Sul.
Segundo Eduardo Velho, economista-chefe da Equator Investimentos, o cenário reforça a tendência de flexibilização monetária nos EUA. “Aumenta a probabilidade de redução dos juros para a faixa entre 3,25% e 3,50% até março de 2026, com três cortes consecutivos de 25 pontos-base”, afirmou.
Durante o dia, dirigentes do Fed sinalizaram apoio a novas reduções nas taxas. O Dollar Index (DXY), que mede o desempenho do dólar frente a seis moedas fortes, recuou 0,45%, para 98,43 pontos, enquanto o petróleo caiu mais de 1%, após Trump mencionar avanços nas negociações com Vladimir Putin sobre o fim da guerra na Ucrânia.
A maioria das moedas emergentes se valorizou, mas perdeu força no fim da tarde com o salto de 20% do índice VIX (indicador de volatilidade) e a queda das bolsas em Nova York.
No Brasil, o real segue beneficiado pelo alto diferencial de juros e pela perspectiva de taxa real acima de 7% em 2026. No entanto, as incertezas fiscais continuam limitando ganhos.
Velho alerta que o governo Lula precisa encontrar entre R$ 35 bilhões e R$ 40 bilhões para compensar a perda de receita com a queda da Medida Provisória que substituía o aumento do IOF. “Se não houver uma solução crível, o dólar pode voltar a testar níveis acima de R$ 5,50”, disse.
Mais cedo, o ministro da Fazenda, Fernando Haddad, afirmou aguardar um chamado do presidente Lula para apresentar alternativas. Já o líder do governo no Senado, Jaques Wagner (PT-BA), admitiu que uma nova proposta pode ser apresentada por meio de projeto de lei com trechos “incontroversos” da MP.
A decisão do TCU, que dispensou o governo de contingenciar gastos para atingir o centro da meta fiscal de 2026, gerou leve desconforto no mercado, embora já fosse esperada.


