Santa Casa de Campo Grande alerta para colapso com fim de convênio e médicos sem salário

Redação 30/10/2025
A Santa Casa de Campo Grande divulgou nota nesta quarta-feira (30) alertando para o risco de colapso nos atendimentos do SUS (Sistema Único de Saúde). O hospital enfrenta déficit mensal de R$ 18 milhões, médicos sem salário desde maio e cirurgias eletivas suspensas, e informou que o Convênio 3A/2021, que regula o repasse de recursos da Prefeitura e do Governo do Estado, encerra na sexta-feira (31).
Segundo a instituição, sem um novo contrato, “o hospital caminha para não ter condições mínimas de manter os atendimentos”. A Santa Casa afirma estar endividada e que o repasse atual, de R$ 32,7 milhões mensais, não cobre os custos operacionais — valor que a direção pede para ser reajustado para R$ 45,9 milhões, com recomposição retroativa dos últimos dois anos.
Em setembro, a Justiça determinou que hospital, Estado e município assinassem novo contrato em até 30 dias, prazo que expira em menos de 48 horas. Na quarta-feira (29), a Sesau (Secretaria Municipal de Saúde) e a SES (Secretaria de Estado de Saúde) criaram um Grupo de Trabalho (GT) para revisar o convênio e propor ajustes em até 20 dias, mas a Santa Casa criticou a medida, afirmando que “não resolve a urgência atual”.
“O tema da contratualização é discutido há mais de 15 meses, sem qualquer iniciativa concreta e eficaz dos gestores públicos”, diz a nota divulgada pela instituição.
Atualmente, a Santa Casa atende mais da metade da demanda hospitalar de Campo Grande (55,37%) e afirma que os custos subiram com a inflação e os reajustes salariais do setor.
Enquanto isso, médicos contratados como Pessoa Jurídica (PJ) continuam sem receber há pelo menos cinco meses. Segundo o Sinmed-MS (Sindicato dos Médicos de Mato Grosso do Sul), cerca de 12 especialidades estão afetadas, incluindo anestesiologia, o que levou à suspensão total das cirurgias eletivas.
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O presidente do sindicato, Marcelo Santana Vieira, afirma que a Santa Casa tenta transferir a responsabilidade, mas o dever de pagamento é do próprio hospital.
“Esses médicos firmaram contrato com a Santa Casa, não com o município ou o Estado. A responsabilidade pelos pagamentos é da Santa Casa”, destacou o sindicalista.
Além da paralisação dos anestesistas, empresas terceirizadas de ortopedia e outras especialidades também estão sem receber, o que amplia a crise.
A Justiça ainda analisa o pedido da Santa Casa para renovação emergencial do convênio e reajuste do repasse — medida considerada essencial para evitar o colapso de um dos principais hospitais do Centro-Oeste.


