Mortes de bebês por doenças evitáveis crescem 220% no Brasil com queda da vacinação

Redação 02/11/2025
O Brasil registrou 48 mortes de bebês e crianças menores de cinco anos em 2024 por doenças evitáveis com vacinação, segundo dados do Sistema de Informações sobre Mortalidade (SIM), do Ministério da Saúde. O número representa um aumento de 220% em relação a 2021, quando foram contabilizados apenas 15 óbitos na mesma faixa etária.
A coqueluche foi a principal causa dessas mortes, com 21 registros, seguida pela tuberculose do sistema nervoso (13) e meningite bacteriana (9). A doença, provocada pela bactéria Bordetella pertussis, voltou a matar crianças após um hiato de três anos, e é prevenida com a vacina pentavalente, aplicada aos 2, 4 e 6 meses de vida.
O crescimento das mortes coincide com o período de queda nas coberturas vacinais, especialmente entre 2019 e 2021. Segundo o diretor da Sociedade Brasileira de Imunizações (SBIm), Juarez Cunha, a melhora recente nas taxas de vacinação em 2023 e 2024 ainda não foi suficiente para conter os efeitos da desinformação e da falta de doses em anos anteriores.
“Essas coberturas só agora começaram a melhorar. Além disso, tivemos períodos de falta da vacina, como a BCG, e ainda convivemos com a desinformação, que afeta as vacinas de rotina e as campanhas”, explicou Cunha.
As regiões Sul e Sudeste concentram a maior parte das mortes — com 12 e 16 casos, respectivamente. Mato Grosso do Sul aparece entre os estados com óbitos classificados como evitáveis.
Ranking dos estados com mortes por doenças imunopreveníveis em 2024
São Paulo (7), Amazonas (5), Rio de Janeiro (5), Paraná (5), Santa Catarina (5), Minas Gerais (4), Pará (3), Maranhão (2), Pernambuco (2), Rio Grande do Sul (2), Roraima (1), Piauí (1), Ceará (1), Distrito Federal (1), Sergipe (1), Bahia (1), Mato Grosso do Sul (1) e Mato Grosso (1).
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Além das doenças listadas pelo SIM, Cunha alerta que os dados não incluem mortes por covid-19 e influenza, que também são preveníveis por vacina. Apenas em 2024, 116 crianças menores de quatro anos morreram de influenza no país, mas esses casos não entram na categoria de óbitos evitáveis por imunização.
O especialista reforça que a vacinação infantil e materna é essencial para conter o avanço dessas doenças.
“Tudo o que estamos vendo agora reforça a importância de manter altas coberturas vacinais, tanto em crianças quanto em gestantes”, afirmou.


