Variante ‘Frankenstein’ da Covid-19 circula em MS; transmissão é alta, mas vacinas seguem eficazes


Redação 19/11/2025

Uma nova variante da covid-19, chamada XFG, já está em circulação em Mato Grosso do Sul. Detectada no Brasil em julho deste ano, a cepa — resultado da combinação de duas subvariantes da Ômicron — ganhou o apelido de “Frankenstein” por sua composição genética. Embora apresente grande capacidade de transmissão, ela não é classificada como variante de alto risco global.

As vacinas aplicadas atualmente continuam protegendo contra casos sintomáticos, graves e internações, reforçando a imunização como principal medida de prevenção.

Sintomas mais comuns

Segundo o Centro Médico da Universidade de Nebraska, a XFG se destaca por causar rouquidão, decorrente de irritação e ressecamento na garganta logo nos primeiros dias de infecção.

Outros sintomas lembram os registrados no início da pandemia: falta de ar, perda de olfato e paladar, além de diminuição do apetite.

Transmissão rápida e risco de reinfecção

Para o infectologista Júlio Croda, da Fiocruz, a variante tem maior capacidade de escapar da imunidade adquirida em infecções anteriores, o que aumenta a chance de reinfecção. Apesar disso, ele destaca que não há indícios de agravamento dos quadros clínicos.

“As vacinas seguem eficazes. A XFG apresenta algum grau de escape imune, mas não há relação com formas mais graves da doença”, afirma.

Situação em Mato Grosso do Sul

Em julho, não havia registros da XFG no Estado. Porém, segundo a SES (Secretaria de Estado de Saúde), a variante começou a circular oficialmente em 11 de setembro de 2025, identificada por meio de sequenciamento genômico de amostras aleatórias.

A cepa foi confirmada em Corumbá, Dourados e Campo Grande, totalizando 63 amostras positivas até o momento.

A SES reforça que o aumento de casos pode estar relacionado à entrada da nova cepa e destaca a importância de manter a vacinação em dia.

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Impactos da pandemia no Estado

Um estudo divulgado em outubro de 2025 revelou que 11.355 sul-mato-grossenses morreram por covid-19.

O levantamento também mostra o impacto silencioso da pandemia: 2.930 crianças e adolescentes ficaram órfãos de pai, mãe ou ambos entre 2020 e 2021, apenas em MS.

No total, considerando cuidadores como avós e tios, 5 mil menores no Estado perderam alguém responsável pela sua criação por causa da covid-19.

Cobertura vacinal infantil segue baixa

Apesar da circulação de novas variantes, a vacinação de bebês continua insuficiente.

Entre janeiro e agosto de 2024, somente 3,12% das crianças menores de 1 ano receberam a vacina contra a covid em Mato Grosso do Sul.

Nenhum dos 79 municípios do Estado alcançou a cobertura recomendada pelo Ministério da Saúde, que é de 95%.

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