Corredora é atacada no Parque dos Poderes e relatos revelam rotina de assédio e insegurança


Redação 26/11/2025

Uma corredora foi atacada por um homem armado durante um treino na manhã desta quarta-feira (26), no Parque dos Poderes, em Campo Grande. O caso ocorreu por volta das 5h, quando o suspeito agarrou a vítima pelo braço e tentou arrastá-la para uma área de mata. A mulher conseguiu escapar após ser ajudada por um casal que caminhava pelo local, que conteve o agressor até a chegada da polícia.

O episódio reacende a preocupação com a vulnerabilidade das mulheres que frequentam o parque para praticar atividades físicas. Atletas relatam que episódios de assédio, intimidação e violência são frequentes nas primeiras horas da manhã e no final da tarde.

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Relatos de medo e constrangimento

Corredoras que treinam regularmente na região afirmam que situações de constrangimento são comuns. Carros que passam buzinando, comentários de cunho sexual, abordagens suspeitas e até homens exibindo a genitália fazem parte da rotina de quem treina no local.

Uma atleta contou que já precisou mudar sua rota após perceber que um homem reduziu a velocidade para cruzar o caminho dela:

“Ele não estava correndo. Parou para esperar eu passar. Fiquei insegura, dei meia volta e corri para onde havia movimento.”

Segundo elas, alguns trechos do parque são desertos e acabam sendo evitados por mulheres devido ao medo.

Ambiente inseguro na madrugada

Além do assédio, atletas relatam que a madrugada no Parque dos Poderes tem sido marcada por bagunça, consumo de álcool e drogas, som alto e motoristas embriagados — cenário que coincide com o horário de início dos treinos.

Há relatos de carros acelerando ao lado de corredoras para intimidá-las e até agressões físicas.

“Tem menina que levou uma latinha de cerveja na cabeça, jogada por um carro em movimento”, contou uma atleta.

Outra frequentadora, que treina no parque desde 2020, descreve riscos constantes:

“O parque, de madrugada, está tomado por festas, rachas e consumo de drogas. Já fui assediada e, em 2022, fui atropelada por um motorista embriagado enquanto pedalava às 5h30.”

Cobrança por ações de segurança

Atletas reivindicam mais iluminação, reforço no policiamento, instalação de cercas em áreas de mata e dispersão de veículos parados nas madrugadas. Elas sugerem ainda a adoção de políticas já implementadas em outras cidades, como o fechamento parcial de vias para treinos entre 4h e 6h.

A Polícia Militar foi acionada para comentar o caso, mas não respondeu até o fechamento desta reportagem.

 

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