MS tem o 2º maior índice de favelas em áreas arborizadas, mas estudo expõe risco constante para famílias vulneráveis


Redação 05/12/2025

Mato Grosso do Sul aparece entre os destaques de um levantamento divulgado pelo IBGE nesta sexta-feira (5). O estado tem o segundo maior percentual de moradores de favelas e comunidades vivendo próximos a áreas arborizadas do país. Segundo o estudo, 76,9% dos moradores dessas regiões — cerca de 12,5 mil pessoas — residem em locais cercados por árvores.

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O índice só é superado pelo Tocantins, que lidera o ranking com 80,1%. À primeira vista, a presença robusta de vegetação poderia ser interpretada como um indicador de qualidade de vida. Porém, o levantamento expõe um cenário contraditório: nas áreas mais vulneráveis, a arborização muitas vezes se transforma em ameaça.

Risco constante em meio às árvores

Na prática, quem vive em barracos erguidos próximas a árvores convivem com medo, especialmente na temporada de chuvas. Em Campo Grande, a situação da Comunidade Cidade dos Anjos, no Parque Lageado, ilustra o problema.

Durante ventanias, galhos e troncos sem manutenção colocam em risco as moradias improvisadas. Moradores relatam noites inteiras sem dormir, temendo que uma árvore caia sobre suas casas.

Uma dessas famílias é a de Tarsilla Eimori, que descreveu ao Campo Grande News o desespero que toma conta da comunidade a cada temporal: “A cada ventinho, é um desespero.” Em outra ocasião, uma leucena arrancada pela ventania destruiu completamente um dos barracos, obrigando moradores a buscar abrigo com amigos e parentes.

A rotina de medo também faz parte da vida de Gleiciane Garrido, que lembra de um episódio extremo: “No ano passado, precisei colocar meus filhos dentro do guarda-roupa para protegê-los. O medo é sempre o mesmo, e a sensação de abandono também.”

Arborização desigual

Embora Mato Grosso do Sul tenha um índice elevado de áreas verdes nos assentamentos precários, o IBGE aponta que a arborização ainda é menor do que a encontrada em bairros estruturados das cidades. A disparidade reforça o problema: mesmo onde há árvores, falta manutenção, prevenção e ações específicas para garantir segurança aos moradores.

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