Adolescente com paralisia cerebral permanece há 10 dias na UPA e aguarda vaga em hospital; caso gera preocupação


Redação 08/12/2025

A permanência prolongada de um adolescente de 17 anos na UPA da Vila Almeida, em Campo Grande, tem mobilizado servidores e pacientes da unidade. Internado há aproximadamente dez dias, o jovem — que tem paralisia cerebral e sérias limitações físicas — estaria praticamente sem acompanhamento familiar e ainda aguarda transferência para um hospital, onde poderia receber atendimento especializado.

O adolescente foi levado à UPA após ser encontrado pelo Conselho Tutelar em situação grave, desidratado e debilitado. Ele era cuidado em casa apenas por uma irmã de 15 anos, depois de ter sido abandonado pela mãe e pela avó, ambas dependentes de drogas.

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Ao acionar os familiares, o Conselho Tutelar localizou uma tia que vive em outro estado. A mulher veio a Campo Grande, mas, segundo relatos, não possui condições de prestar cuidados integrais. Ela comparece à unidade apenas no período noturno, em razão do trabalho, levando fraldas e itens de higiene, mas o adolescente necessita de atenção contínua, 24 horas por dia.

A tia teria ingressado com pedido judicial para garantir a transferência do jovem para um hospital. Conforme relatam profissionais da UPA, o prazo legal de 24 horas para disponibilização da vaga já teria sido descumprido pelo menos duas vezes, sem que a remoção fosse efetivada.

Enquanto a transferência não ocorre, servidores se revezam para assegurar acolhimento e cuidados básicos. “Cortamos o cabelo dele, estamos fazendo tudo que está ao nosso alcance. Ele já apresenta sinais de melhora: retiramos a sonda e ele voltou a se alimentar por mamadeira e por via oral”, relata uma funcionária. Pacientes internados na unidade também vêm colaborando com doações.

A situação, porém, preocupa. Funcionários afirmam que o caso já foi encaminhado ao Ministério Público e apontam possível abandono de incapaz, considerando que o adolescente depende totalmente de cuidados. “O Conselho Tutelar deveria garantir alguém para acompanhá-lo. Ele está completamente sozinho”, desabafa a denunciante.

Procurada, a Sesau (Secretaria Municipal de Saúde) negou as informações, citando limitações impostas pela Lei Geral de Proteção de Dados (LGPD). O Conselho Tutelar também foi contatado e o posicionamento ainda é aguardado.

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