Greve do transporte coletivo chega ao 4º dia e se torna a maior da história de Campo Grande

Redação 18/12/2025
A greve no transporte coletivo de Campo Grande chega ao quarto dia nesta quinta-feira (18) e já é considerada a maior paralisação do setor em 31 anos. O último movimento de interrupção total havia ocorrido em outubro de 1994, quando os ônibus ficaram fora de circulação por três dias.
Assim como naquela época, a cidade enfrenta impactos diretos no comércio, na rotina da população e na mobilidade urbana. A principal diferença, porém, é que, em 2025, os trabalhadores decidiram manter a paralisação mesmo diante de decisões judiciais que determinam o retorno parcial da frota. A categoria afirma que só retomará as atividades após o pagamento integral dos salários atrasados.
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Nos últimos anos, os trabalhadores do transporte coletivo haviam realizado apenas paralisações pontuais de um dia, como em 2022 e no início de 2025, em caráter de alerta, sem interrupção total do serviço.
Com os ônibus parados nas garagens, o Centro de Campo Grande permanece esvaziado e o comércio acumula prejuízos. Ainda assim, parte da população demonstra apoio ao movimento, recorrendo a alternativas para se deslocar.
Greve histórica de 1994
Em outubro de 1994, o Sindicato dos Trabalhadores em Transporte Coletivo e Urbano de Campo Grande (STTCU-CG) deflagrou greve após reivindicar melhorias nas condições de trabalho, como o fim das jornadas dobradas e reposição salarial. O movimento ocorreu no primeiro ano do Plano Real, período marcado por incertezas econômicas.
Na ocasião, os motoristas iniciavam as viagens e interrompiam os trajetos no meio do percurso, o que deixou ônibus parados pelas ruas e causou tumulto no Centro. A paralisação durou três dias e só terminou após determinação da Justiça do Trabalho.
À época, as empresas estimaram prejuízo de R$ 56,1 mil, equivalente hoje a cerca de R$ 652,8 mil, devido à perda de mais de 367 mil passageiros. O sindicato foi multado judicialmente, embora não haja confirmação sobre o pagamento.
Greve de 2025

A atual paralisação foi aprovada em assembleia na última quinta-feira (11) e começou na segunda-feira (15). Os funcionários do Consórcio Guaicurus estão com o salário de novembro atrasado e também cobram o pagamento do 13º salário e do adiantamento previsto para o dia 20.
O Tribunal Regional do Trabalho da 24ª Região determinou que 70% da frota volte a operar, mas a decisão não foi cumprida. O sindicato pode ser penalizado com multa diária de R$ 200 mil.
Segundo a CDL de Campo Grande, cada dia de greve gera prejuízo estimado em R$ 10 milhões ao comércio local. Sem acordo até o momento, a paralisação segue por tempo indeterminado.


