Embrapa lança plataforma para monitorar saúde suína e antecipar riscos sanitários em granjas


Redação 27/01/2027

A Embrapa Suínos e Aves lançou a Central de Inteligência em Saúde Suína (CISS), uma plataforma que integra dados de vigilância sanitária, diagnósticos laboratoriais e análise de risco de doenças em rebanhos suínos. A ferramenta tem como objetivo antecipar problemas sanitários e apoiar a tomada de decisões de produtores, técnicos e órgãos de defesa agropecuária, com impacto direto também em Mato Grosso do Sul.

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A CISS consolida informações de granjas de todo o país, organizadas por região e tratadas de forma anônima. A proposta é oferecer um monitoramento contínuo da sanidade dos rebanhos, permitindo identificar tendências e riscos antes que surtos se instalem, fortalecendo a vigilância epidemiológica no setor.

Segundo a Embrapa, o sistema transforma dados dispersos em informações estratégicas para orientar decisões técnicas no campo. A pesquisadora Janice Reis Ciacci Zanella explica que a integração entre vigilância sanitária e análise de risco proporciona uma visão mais ampla da situação dos plantéis, possibilitando a antecipação de problemas que afetam a produtividade.

Entre os impactos destacados está a eficiência alimentar. Infecções respiratórias, mesmo quando não causam mortalidade, podem reduzir o consumo de ração e piorar a conversão alimentar, elevando os custos de produção para atingir o peso de abate.

O médico-veterinário Dirceu Antonio Benelli, da equipe técnica do projeto, ressalta que doenças subclínicas — aquelas sem sinais evidentes — também geram perdas ao desacelerar o ganho de peso dos animais. Para ele, a vigilância contínua ajuda a reduzir prejuízos antes que se tornem um problema maior nas granjas.

A organização regional dos dados é outro diferencial da plataforma. De acordo com a pesquisadora Mônica Leal Pereira, essa segmentação permite compreender o comportamento das doenças em diferentes territórios e orientar estratégias mais adequadas à realidade local, inclusive com ajustes nutricionais, indicação de dietas específicas e uso racional de aditivos, vitaminas e minerais.

A participação no sistema é voluntária e os dados não identificam propriedades. Segundo o pesquisador colaborador Kenai C. Prior, o modelo anônimo busca ampliar a confiança dos produtores e fortalecer a vigilância sanitária como uma ação coletiva.

Além de ganhos produtivos, a Embrapa destaca que o controle sanitário rigoroso é fundamental para a competitividade do setor e para o acesso a mercados mais exigentes. Para Mato Grosso do Sul, a expectativa é de maior previsibilidade na produção e redução de riscos sanitários com a adoção da nova plataforma.

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