Falta de chuva coloca lavouras de soja do sul de MS em alerta durante fase crítica da safra

Redação 29/01/2026
A irregularidade das chuvas e a previsão de precipitações abaixo da média histórica deixaram produtores de soja do sul de Mato Grosso do Sul em alerta até o fim de janeiro. O cenário afeta principalmente áreas de Dourados, Caarapó, Itaporã, Ivinhema e Fátima do Sul, justamente no momento em que grande parte das lavouras entrou na fase de enchimento dos grãos, decisiva para o peso e a produtividade da safra.
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De acordo com a Aprosoja (Associação dos Produtores de Soja e Milho), a escassez hídrica ocorre no período de maior exigência de água da cultura. A restrição nesse estágio pode comprometer o rendimento por hectare, mesmo em áreas que apresentavam bom desenvolvimento vegetativo.
Dados do Cemtec (Centro de Monitoramento do Tempo e do Clima de Mato Grosso do Sul) indicam que, entre 1º e 26 de janeiro, diversos municípios do sul do Estado registraram volumes de chuva muito abaixo da média histórica. Em Fátima do Sul, por exemplo, o acumulado foi de 67 milímetros, representando um déficit de 62% em relação ao esperado para o período.
A preocupação aumenta diante da perspectiva de continuidade das chuvas irregulares nos próximos meses. Historicamente, entre fevereiro e abril, o Estado registra precipitações entre 300 e 500 milímetros, mas as projeções apontam volumes inferiores à média nesse trimestre.
Segundo a Aprosoja, o sul concentra atualmente a situação mais delicada da safra em Mato Grosso do Sul. Apenas 51,2% das lavouras estão classificadas como em boas condições, enquanto 42,9% são consideradas regulares e 5,9% já apresentam condição ruim.
Técnicos atribuem o desempenho abaixo do esperado à combinação de fatores climáticos e estruturais, como solos mais arenosos, menor retenção de umidade, altas temperaturas e evapotranspiração elevada. Em algumas áreas, a baixa população de plantas também limita o potencial produtivo.
O impacto do clima reflete ainda no ritmo da colheita. Até 23 de janeiro, apenas 0,7% da área do sul havia sido colhida. No Estado, cerca de 23,4 mil hectares já tiveram os trabalhos concluídos. A expectativa é de que a colheita ganhe ritmo a partir de fevereiro, com pico entre fevereiro e meados de março, e encerramento previsto para maio.


