Morte de menina de 9 anos em Campo Grande acende alerta sobre perigos de desafios virais na internet


Redação 05/03/2026

A morte de uma menina de 9 anos registrada nesta quarta-feira (4) em Campo Grande levantou um alerta entre pais e educadores sobre os riscos dos chamados desafios virais que circulam nas redes sociais. A suspeita é de que a criança tenha participado do chamado “desafio do desodorante”, prática perigosa que incentiva a inalação de aerossóis.

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De acordo com o registro policial, o pai da menina saiu de casa com a esposa para uma consulta médica do filho recém-nascido e deixou a criança sob os cuidados de uma tia. Ao retornar por volta das 14h20, foi informado de que a filha estaria dormindo. No entanto, ao tentar acordá-la, percebeu que ela não respondia.

A menina estava deitada de bruços e havia um tubo de desodorante próximo ao corpo. Segundo o relato, ela apresentava os lábios roxos e não reagia. O pai tentou prestar socorro com respiração boca a boca e massagem cardíaca, mas a criança não voltou a respirar.

Ela foi levada por meios próprios até a Unidade de Pronto Atendimento (UPA) do Universitário, onde equipes médicas também tentaram reanimá-la, sem sucesso. O óbito foi confirmado por volta das 15h. O caso foi registrado como morte decorrente de fato atípico e exames necroscópicos devem indicar a causa da morte.

Desafios virais preocupam especialistas

A suspeita de participação no chamado desafio do desodorante reacende a preocupação de especialistas com conteúdos perigosos que circulam na internet e incentivam crianças e adolescentes a realizar comportamentos de risco em busca de curtidas e visualizações.

Entre exemplos conhecidos estão desafios que envolvem ingestão excessiva de medicamentos, práticas de desmaio induzido ou outras ações perigosas que acabam sendo replicadas nas redes sociais.

Segundo levantamento do Instituto DimiCuida, entre 2014 e 2025 ao menos 61 crianças e adolescentes, com idades entre 7 e 18 anos, morreram no Brasil após participarem de desafios divulgados na internet.

Especialistas alertam que muitos desses conteúdos continuam circulando mesmo após denúncias, muitas vezes adaptados em novas versões para driblar mecanismos de controle das plataformas.

Atenção aos sinais

Mudanças bruscas de comportamento, isolamento repentino, irritabilidade frequente ou queixas constantes de dor de cabeça podem ser sinais de alerta para pais e educadores. Embora esses fatores não confirmem participação em desafios, especialistas orientam que eles devem servir como ponto de atenção.

O crescimento desse tipo de conteúdo ocorre em um cenário de acesso cada vez mais precoce à internet. Pesquisa do Comitê Científico do Núcleo Ciências pela infância aponta que 44% das crianças de até dois anos já tiveram contato com a internet no país.

Já o estuda  TIC Kids on-line Brasilindica que cerca de 24,5 milhões de brasileiros entre 9 e 17 anos utilizam internet, o que representa aproximadamente 93% dessa faixa etária.

Especialistas recomendam que o uso da internet por crianças e adolescentes seja acompanhado por pais ou responsáveis, com regras claras sobre tempo de tela e tipo de conteúdo acessado. 

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