Especialista alerta sobre perigos de desafios virais após morte de menina em Campo Grande


Redação 06/03/2026

A morte de uma menina de 9 anos em Campo Grande , registrada nesta quarta-feira (4), reacendeu o debate sobre os riscos que crianças e adolescentes enfrentam no ambiente digital. A principal suspeita é de que a criança tenha participado do chamado “desafio do desodorante”, prática perigosa que circula nas redes sociais e incentiva a inalação de aerossóis.

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Para a psicóloga Fernanda da Silva, especialista em análise funcional do comportamento, o caso mostra a necessidade de orientação no uso da internet desde cedo. “Assim como ensinamos uma criança a atravessar a rua, também precisamos ensiná-la a atravessar o mundo digital com segurança”, alerta.

O caso

De acordo com registro policial, o pai da menina saiu de casa com a esposa para levar o filho recém-nascido a uma consulta médica, deixando a filha aos cuidados de uma tia. Ao retornar por volta das 14h20, foi informado de que a criança estaria dormindo.

Ao tentar acordá-la, porém, percebeu que ela não reagia. A menina estava deitada de bruços e havia um tubo de desodorante próximo ao corpo. Segundo o relato, ela apresentava lábios arroxeados e não respondia aos estímulos.

O pai ainda tentou reanimá-la com respiração boca a boca e massagem cardíaca. Durante a tentativa de socorro, a criança chegou a vomitar, mas não voltou a respirar.

Ela foi levada por familiares até a UPA Universitário, onde equipes médicas também tentaram reanimação, mas o óbito foi confirmado por volta das 15h.

Vulnerabilidade no ambiente digital

Segundo a psicóloga, crianças e adolescentes são especialmente vulneráveis a conteúdos que circulam na internet, pois ainda estão em fase de desenvolvimento emocional e cognitivo. A região do cérebro responsável por avaliar riscos e tomar decisões ainda não está completamente formada nessa idade.

“Quando crianças são expostas às redes sociais sem orientação adequada, acabam tendo contato com conteúdos inadequados e pressão social constante”, explica.

Plataformas como Instagram, TikTok, aplicativos de conversa com Discod e até jogos online como Roblox podem expor jovens a desconhecidos, desafios perigosos e conteúdos que não condizem com a idade.

Busca por aprovação

A especialista destaca que muitos desafios virais atraem crianças e adolescentes por fatores psicológicos, como a busca por pertencimento e aprovação social.

Curtidas e comentários nas redes sociais ativam o sistema de recompensa do cérebro, estimulando a repetição de comportamentos para ganhar mais visibilidade e reconhecimento. Isso pode gerar ansiedade, baixa autoestima e dependência de telas.

Além disso, o ambiente digital pode expor jovens a cyberbullying, conteúdos violentos e até tentativas de aliciamento.

Orientação dos pais é fundamental

Especialistas apontam que o acompanhamento da família é essencial para reduzir riscos. Entre as recomendações estão limitar o tempo de uso de telas, supervisionar conteúdos acessados e manter diálogo aberto sobre segurança na internet.

Também é importante incentivar atividades fora do ambiente digital, como esportes, convivência familiar e brincadeiras presenciais.

Segundo recomendações da Sociedade Brasileira Pediatra, crianças de até dois anos não devem utilizar telas, exceto para chamadas com familiares. Entre dois e cinco anos, o ideal é no máximo uma hora por dia e sempre com supervisão.

Levantamento do Instituto DimiCuida aponta que, entre 2014 e 2025, ao menos 61 crianças e adolescentes morreram no Brasil após participarem de desafios compartilhados nas redes sociais.

Entre pais de alunos da escola onde a menina estudava, o clima é de choque e preocupação. A mãe de um colega da vítima, Andreia Carvalho, disse que tenta acompanhar o que o filho acessa no celular, mas mesmo assim a situação trouxe medo.

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