Mortes por câncer colorretal podem crescer até 181% no Brasil


Redação 19/03/2026

Dados do Instituto Nacional de Câncer apontam que o câncer colorretal deve provocar cerca de 635 mil mortes no Brasil entre 2001 e 2030. O impacto vai além da saúde: a doença pode resultar na perda de 12,6 milhões de anos potenciais de vida e causar prejuízos econômicos estimados em US$ 22,6 bilhões em produtividade.

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As projeções indicam um avanço expressivo da mortalidade ao longo das décadas. Entre os homens, o aumento pode chegar a 181%, enquanto entre as mulheres a alta estimada é de 165%.

O crescimento não será uniforme. Entre os homens, a região Norte deve registrar o maior avanço relativo, com perdas de produtividade até 9,7 vezes maiores. Já entre as mulheres, os maiores aumentos estão previstos nas regiões Norte e Nordeste, com crescimento de 8,7 e 10,3 vezes, respectivamente.

Os dados fazem parte do estudo Regional inequalities in mortality from colorectal cancer and its indirect economic impact in Brazil from 2001 to 2030, realizado pelo INCA em parceria com a Agência Internacional para Pesquisa em Câncer e publicado na revista The Lancet Regional Health – Americas.

A pesquisa analisou o impacto econômico indireto da doença com base na metodologia do capital humano, que considera os anos de vida produtiva perdidos e a queda na capacidade de geração de renda devido às mortes precoces.

Segundo a pesquisadora Marianna de Camargo Cancela, o estudo levou em conta óbitos desde os 15 anos até idades mais avançadas, considerando que muitos brasileiros continuam economicamente ativos mesmo após a aposentadoria.

Apesar de as regiões Norte e Nordeste ainda apresentarem menor impacto econômico total, elas concentram os maiores crescimentos proporcionais de mortalidade e perdas de produtividade, evidenciando desigualdades regionais.

A pesquisa reforça a necessidade de ampliar investimentos em prevenção, diagnóstico precoce e tratamento do câncer. Para o epidemiologista Arn Migowski, essas medidas são fundamentais não apenas para salvar vidas, mas também para reduzir os impactos sociais e econômicos da doença.

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