Fim da patente do Ozempic abre caminho para genéricos e possível queda de preços no Brasil

Redação 20/03/2026
Um dos medicamentos mais populares no tratamento do diabetes tipo 2 entra em uma nova fase no país. A patente da semaglutida — princípio ativo do Ozempic — chegou ao fim após decisão do Superior Tribunal de Justiça, que rejeitou a prorrogação do prazo de exclusividade.
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Na prática, a medida permite que outras farmacêuticas passem a produzir versões genéricas e biossimilares do medicamento, o que deve ampliar o acesso e reduzir custos ao longo do tempo.
Até então, a exclusividade de fabricação e comercialização era da Novo Nordisk. Com a quebra da patente, empresas interessadas poderão lançar produtos com o mesmo princípio ativo, desde que atendam às exigências da Agência Nacional de Vigilância Sanitária.
Impacto no preço e no mercado
A expectativa do setor é de queda significativa nos preços. Atualmente, o medicamento pode custar cerca de R$ 1.000, valor que limita o acesso de muitos pacientes. Com a entrada de concorrentes, especialistas estimam redução entre 30% e 50% nos próximos anos.
Mesmo assim, a diminuição não deve ser imediata, já que fatores como produção, logística e estratégias comerciais influenciam o valor final nas farmácias.
O interesse da indústria é alto: o mercado das chamadas “canetas emagrecedoras” movimentou cerca de R$ 10 bilhões em 2024 e pode chegar a R$ 15,6 bilhões em 2026.
Corrida por produção nacional
A decisão já mobiliza empresas brasileiras e multinacionais. A própria Anvisa passou a priorizar a análise de pedidos, e os primeiros registros podem sair ainda nos próximos meses.
Farmacêuticas como Àvita Care, EMS e Megalabs estão entre as que disputam espaço nesse novo cenário. A produção nacional também pode facilitar a distribuição e reduzir a dependência de importações, embora exija investimentos elevados, já que se trata de um medicamento biológico.
Possível impacto no SUS
Com a tendência de queda nos preços, cresce a possibilidade de ampliação do acesso pelo Sistema Único de Saúde. Hoje, o fornecimento é limitado devido ao alto custo.
A eventual incorporação do medicamento dependerá de análise de custo-benefício por órgãos como a Comissão Nacional de Incorporação de Tecnologias no SUS.
Decisão judicial
O caso foi analisado após ação da Novo Nordisk contra o Instituto Nacional da Propriedade Industrial. A empresa alegava demora na análise da patente e pedia a extensão do prazo de exclusividade.
No entanto, a Justiça manteve o entendimento baseado em decisão do Supremo Tribunal Federal, que fixou em 20 anos o limite para patentes no país, sem possibilidade de prorrogação por atrasos administrativos.
Com isso, o mercado brasileiro se prepara para uma nova fase, com maior concorrência e expectativa de tornar o tratamento mais acessível para a população.



