Servidores protestam na Câmara de Campo Grande contra terceirização da saúde

Redação 26/03/2026
Servidores públicos da saúde de Campo Grande realizaram, nesta quinta-feira (26), um protesto na Câmara Municipal contra a proposta da prefeitura de transferir a gestão de unidades de saúde para Organizações Sociais (OS), modelo que envolve terceirização dos serviços.
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Durante a mobilização, representantes de entidades e órgãos públicos manifestaram preocupação com os impactos da medida no Sistema Único de Saúde (SUS).
O superintendente do Ministério da Saúde em Mato Grosso do Sul, Ronaldo de Souza Costa, criticou a proposta e destacou que a saúde pública é responsabilidade do Estado em todas as esferas. Segundo ele, a entrada do setor privado pode comprometer princípios fundamentais do SUS, como universalidade, integralidade e equidade, além de gerar riscos de redução de serviços e precarização do trabalho.
Já o presidente do Sindicato dos Odontologistas de Mato Grosso do Sul (SIOMS), David Chadid, apontou possíveis fragilidades no modelo de OS, como contratação direta de funcionários e ausência de processos licitatórios, o que, segundo ele, pode aumentar riscos de irregularidades. Ele também destacou que metas de atendimento podem impactar a qualidade dos serviços, especialmente em períodos de alta demanda, como surtos de doenças.
O presidente do Conselho Municipal de Saúde, Jader Vasconcelos, reforçou que o órgão é historicamente contrário à terceirização da gestão da saúde. Ele afirmou que os principais problemas enfrentados pelo município estão ligados à falta de leitos, insumos, medicamentos e exames, e não seriam solucionados com a adoção de Organizações Sociais.
Debate segue na Câmara
Diante da repercussão, o presidente da Câmara Municipal, Epaminondas Vicente Silva Neto, informou que será realizada uma audiência pública no dia 9 de abril para discutir a proposta apresentada pela prefeita Adriane Lopes.
Segundo ele, a ideia inicial do Executivo é testar o modelo por um ano em duas unidades de saúde 24 horas. O vereador destacou que a proposta ainda está em fase inicial e que a Câmara irá ouvir todos os envolvidos antes de qualquer decisão.



