Pacientes demora de até quatro anos para exames na Capital


Redação 01/04/2026

O Ministério Público de Mato Grosso do Sul instaurou um inquérito civil para apurar a demora na realização de exames de polissonografia na rede pública de Campo Grande. Atualmente, mais de 650 pacientes aguardam pelo procedimento, considerado essencial para o diagnóstico de distúrbios do sono.

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De acordo com dados enviados pela Secretaria Municipal de Saúde (Sesau), há casos em que a espera ultrapassa quatro anos, com o pedido mais antigo registrado em março de 2022. O tempo médio na fila chega a 70 meses, muito acima do limite recomendado pelo Conselho Nacional de Justiça, que considera excessivos prazos superiores a 100 dias para exames eletivos.

A maior parte dos atendimentos está concentrada no Hospital Universitário Maria Aparecida Pedrossian, que oferece apenas nove vagas mensais. Entre setembro de 2024 e agosto de 2025, foram realizados 117 exames, número insuficiente diante da alta demanda.

Diante do cenário, o MPMS solicitou informações à Sesau e à Secretaria de Estado de Saúde sobre medidas para ampliar a oferta, incluindo a contratação de novos prestadores. Também pediu esclarecimentos ao hospital sobre a possibilidade de aumento da capacidade de atendimento.

Além da baixa oferta, o órgão apontou entraves estruturais, como a falta de registro do exame no Cadastro Nacional de Estabelecimentos de Saúde (CNES) e a ausência de classificação ocupacional específica para os profissionais responsáveis, o que dificulta a organização do serviço.

Outro problema identificado é o alto índice de faltas. Em outubro de 2025, menos da metade dos pacientes agendados compareceu para realizar o exame.

A investigação faz parte de um acompanhamento mais amplo do Ministério Público sobre filas de exames especializados na capital, que também envolvem procedimentos como ressonância magnética, colonoscopia e endoscopia.

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