Demanda por soja deve disparar em MS com avanço dos biocombustíveis até 2035


Redação 14/04/2026

A expansão dos biocombustíveis no Brasil deve impulsionar fortemente a demanda por soja em Mato Grosso do Sul, com projeção de crescimento de até 72% até 2035. O cenário está diretamente ligado ao aumento da mistura obrigatória de biodiesel ao diesel e ao fortalecimento da cadeia agroindustrial.

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Desde 2008, o percentual de biodiesel adicionado ao diesel subiu de 2% para 14% em 2024, conforme dados da Agência Nacional do Petróleo, Gás Natural e Biocombustíveis. Atualmente, cerca de 70% do biodiesel produzido no país utiliza óleo de soja como matéria-prima, reforçando a importância do grão no setor energético.

Segundo estudo da Aprosoja/MS, a demanda nacional por soja voltada ao biodiesel pode saltar de 43,2 milhões para 74 milhões de toneladas até 2035.

No cenário estadual, o avanço também será expressivo. A estimativa é que a demanda cresça de 3,45 milhões de toneladas em 2025 para 5,92 milhões em 2035, o que representa um aumento de 2,47 milhões de toneladas — volume equivalente a uma nova safra média destinada ao setor energético.

Atualmente responsável por cerca de 8% da capacidade nacional de produção de biodiesel, o estado deve ampliar sua participação com novos investimentos. O setor projeta aportes de R$ 52,5 bilhões em usinas e unidades de processamento, elevando a capacidade de esmagamento de soja de 15,5 mil para 18 mil toneladas por dia.

Esse avanço tende a fortalecer a industrialização local, reduzindo a exportação do grão in natura e ampliando a produção de derivados como óleo e farelo.

A área plantada também deve crescer, passando de 1,08 milhão para 1,84 milhão de hectares até 2035, acompanhando a demanda crescente. Hoje, a produtividade média no estado é de 53,4 sacas por hectare.

Apesar das oportunidades, o crescimento traz desafios logísticos, principalmente com o aumento no transporte de derivados em vez do grão bruto. Ainda assim, o avanço do biodiesel consolida a soja como um insumo estratégico na matriz energética brasileira e abre caminho para maior geração de valor agregado no estado.

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