Irã eleva exigências e mantém incerteza sobre negociações com os EUA

Redação 21/04/2026
Fontes do governo do Irã afirmaram que negociar implica “dar e receber”, ao mesmo tempo em que mantêm incerteza sobre a participação do país nas conversas em Islamabad, pouco antes do fim do cessar-fogo com os Estados Unidos, previsto para a noite desta quarta-feira (22).
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Apesar da dúvida estratégica, a expectativa é que os iranianos compareçam. Entre as propostas colocadas na mesa estão a extensão do prazo sem enriquecimento de urânio, a transferência do material altamente enriquecido para um país aliado, como o Paquistão, e a reabertura do Estreito de Ormuz.
Em contrapartida, o Irã exige o fim do bloqueio americano ao estreito, a retirada de sanções econômicas, o desbloqueio de ativos no exterior e a flexibilização da posição dos EUA contra seu programa nuclear, inclusive para fins pacíficos.
O impasse também envolve o presidente Donald Trump, que enfrenta dificuldades políticas para firmar um acordo semelhante ao negociado por Barack Obama em 2015 — rompido por ele em 2018. O tratado anterior limitava o enriquecimento de urânio iraniano a níveis voltados para geração de energia.
Internamente, Trump sofre pressão do Partido Republicano, preocupado com os impactos econômicos da crise energética e com as eleições de meio de mandato. O cenário inclui risco de perda de maioria no Congresso e possível enfraquecimento do governo.
Diante disso, o presidente alterna discursos entre a possibilidade de acordo e ameaças de intensificação do conflito, tentando equilibrar pressões internas e externas.
Enquanto isso, o Irã mantém capacidade estratégica relevante, incluindo o controle do Estreito de Ormuz e influência militar na região, além de maior tolerância política aos efeitos prolongados da crise. Ainda assim, o país sinaliza interesse em um acordo, especialmente diante dos prejuízos estimados em cerca de US$ 200 bilhões causados pelos bombardeios e sanções.



