Dólar volta a superar R$ 5 e reage a pressão externa e ruídos políticos


Redação 19/05/2026

O dólar voltou a subir com força nesta terça-feira (19) e encerrou o dia acima da marca de R$ 5, acompanhando o avanço global da moeda norte-americana diante da escalada dos rendimentos dos títulos do Tesouro dos Estados Unidos e do aumento das preocupações com uma inflação mais persistente na maior economia do mundo.

✅Siga no Instagram @portaldenoticiasms

A moeda norte-americana fechou cotada a R$ 5,0405, alta de 0,84%, após oscilar entre a mínima de R$ 5,0094 e a máxima de R$ 5,0580. No acumulado de maio, o avanço já soma 1,77%. Apesar da valorização recente, o real ainda registra ganho no ano, com perdas acumuladas do dólar de 8,17% frente à moeda brasileira.

O movimento refletiu principalmente a piora do cenário internacional. A manutenção do petróleo acima dos US$ 100 o barril, em meio ao impasse nas negociações de paz no Oriente Médio, reforçou apostas de que o Federal Reserve (Fed) poderá manter juros elevados por mais tempo — e até promover nova alta neste ano.

O contrato do petróleo Brent fechou cotado a US$ 111,28, com leve recuo de 0,73%, mas segue em patamar considerado elevado pelo mercado. A tensão geopolítica ganhou novo capítulo após o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, afirmar que uma nova ação militar contra o Irã poderá ocorrer na próxima semana caso não haja acordo diplomático.

A pressão externa elevou também as taxas dos títulos públicos americanos. O rendimento do Treasury de 10 anos chegou a 4,68%, enquanto o índice DXY — que mede o desempenho do dólar frente a uma cesta de moedas fortes — voltou a superar os 99 pontos.

No cenário doméstico, investidores também reagiram ao aumento da incerteza política. Pesquisa AtlasIntel/Bloomberg mostrou o senador Flávio Bolsonaro com 41,8% das intenções de voto em eventual segundo turno presidencial, atrás do presidente Luiz Inácio Lula da Silva, que aparece com 48,9%.

O levantamento ocorre em meio ao desgaste da pré-candidatura de Flávio após a revelação de sua aproximação com o banqueiro Daniel Vorcaro, ligado ao banco Master, envolvendo financiamento para uma cinebiografia do ex-presidente Jair Bolsonaro.

Para analistas, a combinação entre pressão externa e incerteza política local aumenta a volatilidade cambial nas próximas semanas.

Segundo o economista Fabrizio Velloni, do Group Holding USA, o mercado passou a discutir novamente riscos fiscais e o impacto do ambiente eleitoral sobre a trajetória do real, reacendendo preocupações sobre a estabilidade econômica no médio prazo.

Compartilhe