Câncer avança em MS, mas histórias de superação e novos tratamentos renovam esperança

Redação 24/05/2026
Aos 11 anos, o sul-mato-grossense Elias Antônio Alvarenga dos Santos Neto viu a infância mudar completamente ao receber o diagnóstico de leucemia. O que começou com sintomas silenciosos — cansaço, dores no corpo, febre e perda de disposição — logo se transformou em uma rotina marcada por internações, exames e sessões de quimioterapia.
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“Eu fui ficando mais pálido e já não tinha energia para brincar ou estudar. Quando descobrimos que era leucemia, foi um choque, mas também trouxe a direção necessária para começar o tratamento”, relembra.
Hoje, aos 24 anos e curado, Elias se tornou símbolo de esperança para milhares de pacientes. “O câncer não define uma pessoa. Existe vida depois da doença”, afirma.
Mato Grosso do Sul já soma 15,2 mil casos
Dados do DataSUS apontam que Mato Grosso do Sul registrou 15,2 mil casos de câncer entre 2024 e 2026, sendo 8.592 em mulheres e 6.608 em homens. Apenas em 2026, já foram contabilizados 748 novos diagnósticos.
Os tipos mais frequentes no Estado são:
- câncer de pele: 2.193 casos;
- câncer de mama: 1.584;
- câncer de próstata: 1.176;
- câncer de cólon: 728;
- câncer do colo do útero: 482;
- câncer de pulmão: 479;
- câncer de estômago: 454.
Mulheres concentram maior número de diagnósticos
Entre as mulheres, o câncer de mama segue liderando, com 1.570 registros. Já o câncer do colo do útero continua preocupando especialistas por estar ligado ao HPV e à baixa adesão aos exames preventivos e à vacinação.
A vacina contra o HPV está disponível gratuitamente no Sistema Único de Saúde para adolescentes de 9 a 14 anos e, desde 2024, também para pessoas entre 15 e 45 anos que utilizam PrEP.
Próstata preocupa entre homens
Nos homens, o câncer de próstata segue como o mais comum, com 1.176 casos no período analisado.
O senador e médico urologista Nelsinho Trad alerta para a resistência masculina aos exames preventivos e reforça que o diagnóstico precoce eleva as chances de cura para mais de 90%.
Os principais sinais de alerta incluem:
- dificuldade para urinar;
- jato urinário fraco;
- aumento da frequência urinária;
- sangue na urina ou no sêmen;
- dores ósseas persistentes.
Idosos concentram maioria dos casos
A faixa etária mais atingida está acima dos 50 anos, com destaque para:
- 65 a 69 anos: 2.036 casos;
- 60 a 64 anos: 2.021;
- 55 a 59 anos: 1.788.
Ainda assim, o câncer também atinge crianças e adolescentes: foram 324 registros entre 0 e 19 anos no período.
Ciência sul-mato-grossense avança
Pesquisadores da Universidade Federal de Mato Grosso do Sul desenvolvem uma tecnologia inovadora com nanopartículas capazes de levar medicamentos quimioterápicos diretamente ao tumor.
Nos testes experimentais, o método alcançou até 99,6% de inibição do crescimento tumoral, com redução superior a 90% no peso dos tumores.
Segundo o pesquisador Marcos Utrera Martines, a tecnologia permite tratamentos mais eficazes e menos agressivos.
Novos medicamentos ampliam opções
A Agência Nacional de Vigilância Sanitária também aprovou nova indicação terapêutica do medicamento Enhertu para pacientes com câncer de mama HER2-positivo avançado, ampliando alternativas de tratamento no Brasil.
Para Elias, cada avanço representa esperança:
“Quero que as pessoas saibam que existe vida depois do câncer. Com diagnóstico precoce, tratamento adequado e apoio, a cura é possível.”

