Em campo de terra, projeto social transforma vidas e alimenta sonhos de crianças no Bairro Serraville em Campo Grande


Redação 03/06/2026

Enquanto o mundo acompanha as grandes competições do futebol internacional, um campo de terra batida no Bairro Serraville, em Campo Grande, cumpre uma missão que vai além do esporte: oferecer oportunidades, disciplina e perspectivas para dezenas de crianças e adolescentes.

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Há seis anos, o professor Jefferson Luiz da Silva, conhecido como Butika, mantém uma escolinha de futebol que atende mais de 30 alunos. Os treinos acontecem às segundas, quartas-feiras e sábados em uma área que antes era um terreno abandonado, tomado por lixo e entulho.

Ex-atleta profissional, Butika decidiu transformar o espaço em um ambiente de inclusão e desenvolvimento social. Desde então, o projeto é mantido, em grande parte, com recursos do próprio professor.

“Quando cheguei aqui, era um terreno baldio cheio de lixo. Resolvi criar a escolinha porque o esporte sempre fez parte da minha vida”, conta.

Atualmente, o projeto recebe crianças a partir dos três anos e jovens acima de 18 anos. A maioria dos participantes mora nos bairros Serraville, Jardim Noroeste e Panorama, embora alguns atravessem a cidade para participar das atividades.

Apesar do crescimento da iniciativa, as dificuldades permanecem. A falta de materiais esportivos, como bolas, redes e calçados adequados, é um dos principais desafios enfrentados pelo projeto. Além disso, a estrutura ainda é limitada.

“Conseguimos construir os banheiros com muita luta e ajuda de uma madrinha do projeto, mas ainda não temos ligação regular de água e energia. A água que os alunos consomem eu trago de casa”, explica.

Mesmo diante das limitações, os resultados são motivo de orgulho. Segundo Butika, dois ex-alunos já conquistaram oportunidades em categorias ligadas ao futebol profissional e outros jovens estão sendo preparados para seguir o mesmo caminho.

Com a proximidade de grandes competições, como a Copa do Mundo, o entusiasmo das crianças pelo futebol aumenta ainda mais. Porém, para o professor, a formação dos alunos vai muito além das quatro linhas.

A permanência na escolinha está condicionada ao desempenho escolar. Quem não apresenta boas notas precisa priorizar os estudos antes de voltar aos treinamentos.

“Recebo muitos pais dizendo que os filhos melhoraram na escola depois que entraram no projeto. O estudo vem em primeiro lugar”, destaca.

A mudança também é percebida pelas famílias. Moradora da região e mãe de três alunos, Josilaine Andreia Gonçalves da Cruz afirma que a escolinha trouxe benefícios importantes para seus filhos.

“Eles ficam contando os dias para chegar o treino. Tenho muito orgulho de ver o que esse projeto representa para eles”, relata.

Para Butika, o principal objetivo continua sendo oferecer um caminho diferente para crianças e adolescentes de uma região marcada pela vulnerabilidade social.

“A maior recompensa é saber que estamos ajudando a construir um futuro melhor para essas crianças e tirando muitas delas das ruas”.

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