Cheia traz esperança ao Pantanal, mas recuperação ainda está longe do ideal

Redação 05/06/2026
Após anos marcados por incêndios severos, o Pantanal voltou a registrar áreas alagadas em 2026, especialmente no Delta do Taquari. A inundação é resultado das fortes chuvas nas cabeceiras do Rio Taquari e representa um sinal de recuperação ambiental para o bioma, que teve 10,9 milhões de hectares atingidos pelo fogo entre 2020 e 2024.
✅Siga no Instagram @portaldenoticiasms
Segundo o diretor do Instituto Homem Pantaneiro, Ângelo Rabelo, a cheia atual é a maior dos últimos dez anos na região do Paiaguás, demonstrando a capacidade de resiliência do Pantanal. No entanto, ele alerta que a situação não significa o fim dos problemas ambientais.
Apesar da melhora, os dados da Embrapa Pantanal mostram que a cheia permanece abaixo da média histórica. Em Ladário, o nível do Rio Paraguai ficou cerca de 1,2 metro abaixo do esperado para o período, o que não é suficiente para restaurar completamente o regime hidrológico tradicional do bioma.
Especialistas apontam que as chuvas entre outubro de 2025 e março de 2026 ficaram de 10% a 12% abaixo da média histórica na Bacia do Alto Paraguai. A situação não deve afetar a navegação, mas pode prejudicar a reprodução dos peixes e a atividade pesqueira.
Diante do risco de novos incêndios, o Governo de Mato Grosso do Sul mantém decreto de emergência ambiental por 180 dias. Temperaturas elevadas, baixa umidade e ventos fortes continuam favorecendo a propagação do fogo, especialmente nas áreas pantaneiras.
Como medida preventiva, o IHP realizou manutenção no Sistema Pantera, tecnologia de monitoramento que funciona 24 horas por dia e acompanha mais de 1 milhão de hectares do Pantanal brasileiro e boliviano, permitindo a identificação rápida de focos de fumaça e incêndios.


