Aprosoja e Famasul pedem antecipação do plantio da soja em Mato Grosso do Sul


Redação 08/06/2026

A Aprosoja-MS (Associação dos Produtores de Soja de Mato Grosso do Sul), em conjunto com o Sistema Famasul, solicitou ao Governo do Estado a revisão do calendário fitossanitário da soja. A proposta prevê que a semeadura seja antecipada para 1º de setembro, com a readequação do período do vazio sanitário.

✅Siga no Instagram @portaldenoticiasms

Pela sugestão apresentada à Semadesc (Secretaria de Estado de Meio Ambiente, Desenvolvimento, Ciência, Tecnologia e Inovação), o plantio poderá ser realizado entre 1º de setembro e 15 de dezembro. Já o vazio sanitário passaria a vigorar de 1º de junho a 31 de agosto, mantendo os 90 dias obrigatórios sem a presença de plantas vivas de soja no campo, medida considerada essencial para o controle de doenças.

Atualmente, o vazio sanitário ocorre entre 15 de junho e 15 de setembro, enquanto a janela oficial de plantio começa em 16 de setembro e segue até 31 de dezembro.

Segundo o presidente do Sistema Famasul, Marcelo Bertoni, a proposta busca oferecer melhores condições aos produtores sem comprometer a segurança fitossanitária da cultura. A entidade defende que a alteração fortalece a competitividade da sojicultura sul-mato-grossense.

O presidente da Aprosoja-MS, Jorge Michelc, afirma que a atualização acompanha a evolução do setor agrícola. De acordo com ele, o avanço genético das cultivares, a modernização das técnicas de manejo e o alto nível de tecnificação das propriedades permitem revisar a legislação mantendo o controle sobre pragas e doenças.

Outro argumento apresentado pelas entidades é o impacto positivo sobre a segunda safra de milho. Com a soja sendo plantada mais cedo, o cultivo do cereal poderá ocorrer em uma janela climática mais favorável, reduzindo riscos e aumentando o potencial produtivo.

A proposta também pretende padronizar as datas adotadas nas diferentes regiões do Estado. Para Aprosoja-MS e Famasul, a uniformização do calendário ajuda a evitar a formação das chamadas “pontes verdes”, que facilitam a sobrevivência e a disseminação de pragas e doenças entre áreas produtoras.

Os argumentos são respaldados por pareceres técnicos da Embrapa Agropecuária Oeste, da Fundação MS e da Fundação Chapadão. As instituições avaliam que a manutenção dos 90 dias de vazio sanitário e o encerramento do plantio em meados de dezembro preservam as condições necessárias para o controle fitossanitário, incluindo o manejo da ferrugem-asiática e das plantas voluntárias de soja.

Os pesquisadores ressaltam, no entanto, que uma eventual mudança no calendário não substitui as orientações do Zoneamento Agrícola de Risco Climático (ZARC). Assim, a definição da melhor data para o plantio continuará dependendo das características de cada propriedade, como tipo de solo, disponibilidade de umidade, ciclo das cultivares e condições climáticas.

Compartilhe