Consórcio Guaicurus é vendido para empresa de Goiás em meio à intervenção no transporte de Campo Grande

Redação 21/07/2026
O Consórcio Guaicurus, concessionário responsável pelo transporte coletivo de Campo Grande, foi vendido para a empresa goiana HP Mobilidade. A informação foi confirmada por fontes ligadas ao grupo nesta terça-feira (21), embora os valores da negociação e a data em que a nova controladora assumirá oficialmente a operação ainda não tenham sido divulgados.
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A possibilidade da venda já havia sido antecipada em maio, quando o grupo passou por uma auditoria externa, procedimento comum em processos de aquisição. Na ocasião, o consórcio negou que a análise estivesse relacionada à negociação, apesar de integrantes terem assinado acordos de confidencialidade.
Controlado pela família Constantino, o Consórcio Guaicurus reúne as empresas Jaguar, Viação São Francisco, Viação Cidade Morena e Viação Campo Grande. Já a HP Mobilidade atua principalmente no transporte coletivo urbano e metropolitano da Grande Goiânia e também no Distrito Federal.
A negociação ocorre em um momento delicado para o sistema de transporte da Capital. Desde 16 de junho, o serviço está sob intervenção da Prefeitura de Campo Grande, que nomeou o advogado Alexandro Adriano Lisandro de Oliveira como interventor-geral após determinação judicial.
Na segunda-feira (20), um dia antes da confirmação da venda, a Justiça suspendeu parte dos poderes da intervenção, impedindo o acesso da comissão interventora às contas de empresas ligadas ao consórcio que não fazem parte diretamente da concessão, até o julgamento de um recurso.
Ao longo dos últimos anos, o Consórcio Guaicurus tem alegado desequilíbrio financeiro no contrato, situação agravada, segundo a empresa, pela queda no número de passageiros durante a pandemia de Covid-19. Uma auditoria contábil realizada pelo Instituto Brasileiro de Estudos Científicos (Ibec) apontou que a concessionária teria direito a uma indenização superior a R$ 377 milhões, além de defender que a tarifa deveria ter sofrido reajustes maiores ao longo da concessão.
Apesar de decisão judicial que previa uma tarifa de R$ 7,79, a Prefeitura reajustou a tarifa técnica de R$ 6,17 para R$ 6,57 e ampliou os subsídios destinados ao transporte coletivo, que neste ano devem ultrapassar R$ 40 milhões, incluindo a compensação pelas gratuidades e a isenção de ISSQN.
A prefeita Adriane Lopes (PP) convocou uma coletiva de imprensa para detalhar os impactos da venda, esclarecer como ficará a intervenção e informar os próximos passos da operação do transporte coletivo na Capital.


