Prevenção ao colesterol deve começar na infância e exame é indicado aos 10 anos, diz cardiologista

Redação 10/08/2026
O acompanhamento do colesterol deve começar ainda na infância. A orientação é que a primeira avaliação seja feita por volta dos 10 anos, segundo o cardiologista Renato Jorge Alves, vice-presidente do Departamento de Aterosclerose da Sociedade Brasileira de Cardiologia (SBC).
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A recomendação foi destacada pelo especialista durante o Dia Nacional de Prevenção e Controle do Colesterol, celebrado neste sábado (8). Para Alves, a identificação precoce de alterações, aliada a hábitos saudáveis e ao acompanhamento médico, é importante para reduzir o risco de doenças cardiovasculares, como infarto e acidente vascular cerebral (AVC).
Segundo o cardiologista, uma recomendação publicada em setembro de 2025 passou a defender que todas as pessoas façam a dosagem do colesterol aos 10 anos. O exame pode ser realizado juntamente com a avaliação da glicose, como parte de uma rotina preventiva.
Tratamento deve seguir orientação médica
Quando o exame aponta níveis elevados de colesterol, a orientação é procurar avaliação profissional para definir a melhor conduta. Alves também alertou para os riscos de interromper medicamentos por conta própria ou seguir orientações encontradas nas redes sociais.
De acordo com o especialista, a suspensão do tratamento pode fazer os níveis de colesterol voltarem a subir. Em casos de hipercolesterolemia de origem genética, as estatinas estão entre os principais medicamentos utilizados, sempre com prescrição e acompanhamento médico.
Quando a estatina não é suficiente para alcançar a meta estabelecida para determinado paciente, outras alternativas podem ser acrescentadas, de acordo com o risco cardiovascular.
O cardiologista ressaltou ainda que existem versões genéricas das estatinas, o que ampliou o acesso aos medicamentos. Ele destacou que estudos científicos realizados ao longo de décadas demonstram a eficácia desses remédios na redução de eventos cardiovasculares.
Alimentação também influencia
A alimentação tem papel importante no controle do colesterol. Segundo Alves, dietas extremamente restritivas, como a chamada dieta carnívora, não são indicadas como estratégia para reduzir o colesterol.
A recomendação é manter uma alimentação variada e equilibrada, com proteínas, carboidratos e gorduras em quantidades adequadas. O excesso de gordura saturada pode elevar o colesterol LDL, conhecido popularmente como colesterol ruim.
Carnes vermelhas, frios, embutidos e alguns chocolates estão entre os alimentos que podem contribuir para uma maior ingestão de gordura saturada. Já as gorduras trans são encontradas principalmente em diversos produtos ultraprocessados.
Além de favorecer alterações no colesterol, uma alimentação desequilibrada pode estar associada a outras alterações metabólicas que aumentam o risco cardiovascular.
Atividade física e sono também entram na prevenção
A prática regular de exercícios é outra medida importante. A orientação apresentada pelo especialista é acumular entre 150 e 300 minutos de atividade física por semana.
O sono também merece atenção. Dormir mal pode interferir no metabolismo e favorecer alterações nos níveis de colesterol e triglicérides.
O estresse é outro fator que pode dificultar o controle de condições relacionadas à saúde cardiovascular, principalmente por sua relação com alterações da pressão arterial e outros fatores metabólicos.
A aterosclerose, explicou Alves, envolve não apenas o acúmulo de gordura nas artérias, mas também processos inflamatórios.
Colesterol alto pode ter origem genética
Uma das preocupações destacadas pelo cardiologista é a hipercolesterolemia familiar, uma condição genética que pode provocar níveis muito elevados de colesterol desde os primeiros anos de vida.
Nesses casos, o diagnóstico precoce é fundamental para iniciar o acompanhamento e o tratamento quanto antes. A doença pode aumentar significativamente o risco de problemas cardiovasculares ao longo da vida.
Por isso, a identificação de alterações no colesterol durante a infância pode ajudar a reconhecer pessoas que precisam de investigação e acompanhamento específicos.
Obesidade aumenta os fatores de risco
A obesidade também está relacionada ao aumento do risco cardiovascular. Segundo o especialista, ela pode estar associada à síndrome metabólica, que envolve alterações como diabetes, hipertensão e aumento da gordura abdominal.
Esse conjunto de fatores pode provocar alterações no metabolismo e contribuir para processos inflamatórios no organismo.
Infarto e AVC estão entre as principais causas de morte no Brasil e no mundo, e fatores como colesterol elevado, hipertensão, diabetes e tabagismo estão entre os principais elementos associados ao risco cardiovascular.
Diante do aumento da obesidade, o cardiologista também chama atenção para seu impacto na saúde do coração. O excesso de peso pode contribuir para um estado inflamatório persistente e aumentar a possibilidade de complicações cardiovasculares.
Outras doenças inflamatórias crônicas também podem estar relacionadas a alterações nas artérias, embora tenham menor impacto populacional devido à menor frequência.


