Brasil inicia processo para reagir a tarifas dos Estados Unidos

Redação 14/08/2026
O governo brasileiro comunicou oficialmente aos Estados Unidos, nesta sexta-feira (14), que iniciou o processo para avaliar a aplicação de medidas de reciprocidade em resposta às tarifas impostas pelos norte-americanos sobre produtos brasileiros.
Segundo o Itamaraty, a notificação foi encaminhada ao Departamento de Estado, ao Departamento de Comércio e ao Escritório do Representante Comercial dos Estados Unidos (USTR).
A medida tem como base a Lei da Reciprocidade, aprovada pelo Congresso Nacional e sancionada pelo presidente Luiz Inácio Lula da Silva em 2025. A legislação permite que o Brasil adote medidas semelhantes às aplicadas por outros países contra produtos brasileiros.
Como funciona o processo
A regulamentação prevê dois tipos de possíveis contramedidas: provisórias e ordinárias.
As medidas provisórias podem ser adotadas de forma imediata, com possibilidade de ouvir representantes do setor privado e outros órgãos antes da decisão. Depois de implementadas, elas também podem ser modificadas ou revogadas.
Já as medidas ordinárias seguem um procedimento mais amplo. O pedido é encaminhado ao Comitê-Executivo de Gestão da Câmara de Comércio Exterior (Camex), acompanhado das informações sobre a medida estrangeira que motivou a reação brasileira. O processo inclui ainda uma consulta pública de até 30 dias.
Negociação continua
A decisão final sobre a adoção das contramedidas caberá ao Conselho Estratégico da Camex. O colegiado poderá adiar a aplicação das medidas caso considere que as negociações diplomáticas entre Brasil e Estados Unidos estejam avançando.
O Ministério das Relações Exteriores deverá apresentar periodicamente relatórios sobre a evolução das conversas.
O governo brasileiro afirma que já solicitou consultas diplomáticas aos Estados Unidos e que pretende priorizar o diálogo e a negociação. Também sustenta que apresentou ao USTR informações e evidências para contestar as alegações norte-americanas de que o Brasil adotaria práticas comerciais desleais.


