Operação Bomba Oculta fecha 28 postos em MS por irregularidades no setor de combustíveis

Redação 29/08/2026
Mato Grosso do Sul voltou a ser alvo de uma nova ofensiva contra esquemas de fraude e lavagem de dinheiro envolvendo o setor de combustíveis. A ação ocorreu nesta sexta-feira (29), como parte dos desdobramentos da Operação Carbono Oculto, deflagrada há um ano.
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Durante a Operação Bomba Oculta, 28 postos de combustíveis instalados em Mato Grosso do Sul tiveram os registros considerados inaptos pela Receita Federal e pela Agência Nacional do Petróleo, Gás Natural e Biocombustíveis (ANP). Com a medida, os estabelecimentos ficam impedidos de continuar funcionando.
A localização dos postos não foi divulgada pelas autoridades porque os procedimentos relacionados à operação estão sob sigilo.
Em todo o país, a operação resultou na suspensão de 1.283 inscrições no CNPJ e de 228 inscrições estaduais. Em São Paulo, onde está concentrada a maior parte das investigações, cinco postos foram lacrados e estão proibidos de operar.
Segundo a Receita Federal, a medida busca interromper o fluxo financeiro utilizado por organizações criminosas para movimentar e ocultar recursos de origem ilegal.
O secretário especial da Receita Federal, Robinson Barreirinhas, afirmou que tornar empresas irregulares inaptas representa uma forma de atingir diretamente a estrutura financeira dos grupos investigados.
Combate à lavagem de dinheiro
As autoridades apontam que os estabelecimentos ligados ao esquema investigado eram utilizados como parte de uma estrutura destinada a inserir recursos ilícitos no sistema financeiro e posteriormente dar aparência legal ao dinheiro.
A Operação Carbono Oculto, que deu origem às novas ações, identificou indícios de ligação entre o esquema de fraude no setor de combustíveis e integrantes do Primeiro Comando da Capital (PCC).
Além de Mato Grosso do Sul e São Paulo, a Operação Bomba Oculta também mobilizou equipes em Goiás, Espírito Santo, Mato Grosso, Paraná, Rio de Janeiro e Santa Catarina.
A ação contou com a participação da Receita Federal, Polícia Federal, Ministério Público de São Paulo (MPSP), Agência Nacional do Petróleo e outros órgãos de fiscalização e investigação.
Estrutura em Iguatemi voltou a aparecer nas investigações
Em Mato Grosso do Sul, um dos pontos que já havia chamado a atenção das autoridades fica em Iguatemi, na região Cone Sul do Estado.
No local existe uma estrutura que, há cerca de 24 anos, foi criada para abrigar a Destilaria Centro-Oeste Iguatemi, às margens da atual MS-290. Com o passar dos anos, o endereço passou a abrigar diversas empresas ligadas ao comércio e à distribuição de combustíveis.
A área já foi alvo das operações Carbono Oculto e Fluxo Oculto e chegou a ser interditada pela ANP em outubro do ano passado. Na ocasião, os agentes identificaram uma estrutura considerada irregular, utilizada por empresas que, segundo as investigações, burlavam regras do setor de combustíveis.
Entre as empresas que funcionavam no endereço estava a Safra Distribuidora de Petróleo, ligada ao empresário Armando Hussein Ali Mourad.
Também estavam instaladas no local a Alpes Distribuidora de Petróleo Ltda. e a Império Comércio de Petróleo S.A., ambas citadas nas investigações sobre fraudes fiscais e movimentações financeiras suspeitas.
A Alpes, segundo os dados levantados no processo, acumula uma dívida de aproximadamente R$ 2,93 bilhões com o Fisco federal, considerada a maior desse tipo em Mato Grosso do Sul.
As investigações apontam ainda que mais de 20 empresas chegaram a funcionar na estrutura de Iguatemi e que parte delas teria alguma relação com o esquema investigado pela Operação Carbono Oculto.


