Vacinação sobre rodas aproxima atendimento de famílias que vivem em áreas rurais de MS

Redação 06/09/2026
Para famílias que moram longe dos centros urbanos, manter a vacinação das crianças em dia pode representar um desafio. Em Maracaju, essa realidade começou a mudar para moradores do assentamento Santa Guilhermina, onde vivem mais de 240 famílias.
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Antes, era necessário percorrer longas distâncias até a cidade para ter acesso aos serviços básicos de imunização. Agora, a chegada do Vacimóvel à comunidade permite que crianças e moradores sejam atendidos mais perto de casa.
A moradora Tianieli Almeida da Silva conta que a mudança facilitou principalmente a rotina das mães que precisam acompanhar regularmente o calendário de vacinação dos filhos.
A iniciativa faz parte de uma estratégia do Governo de Mato Grosso do Sul para ampliar a cobertura vacinal em localidades onde a distância e as dificuldades de deslocamento podem dificultar o acesso aos serviços de saúde.
Estrutura móvel leva sala de vacinação para áreas afastadas
Para colocar o atendimento em regiões de difícil acesso, o Estado investiu R$ 3,4 milhões na aquisição de dez veículos adaptados para funcionar como salas de vacinação. Outros R$ 440 mil foram destinados à contratação de dois furgões refrigerados, utilizados no transporte adequado dos imunizantes.
Os Vacimóveis contam com equipamentos para conservação das vacinas, materiais necessários para a aplicação das doses e estrutura para atendimento. Dessa forma, funcionam como unidades móveis que complementam os serviços oferecidos pelos postos de saúde.
A experiência começou em caráter experimental entre novembro e dezembro de 2025. Durante o período, os veículos passaram por Corumbá, Inocência, Japorã, Porto Murtinho, Miranda e Paranaíba, onde foram aplicadas 1.993 doses.
Com os resultados positivos, o projeto passou a integrar oficialmente o programa MS Protegido em 2026. A expansão começou pela Região Norte, com roteiros planejados para atender comunidades que vão do Baixo Pantanal às áreas próximas da fronteira com outros países.
A operação envolve Estado e municípios. O governo estadual disponibiliza os veículos, motoristas, técnicos e combustível. As prefeituras ficam responsáveis pelos profissionais que aplicam as vacinas, pelo registro das doses e pela mobilização da população.
Tecnologia garante conservação dos imunizantes
Por trás de cada atendimento realizado pelos Vacimóveis existe uma estrutura necessária para garantir a qualidade das vacinas. Os imunizantes precisam permanecer em temperaturas adequadas desde o armazenamento até a aplicação.
Para reforçar essa chamada rede de frio, o Estado recebeu, em 2025, 197 computadores e nove câmaras de conservação destinados aos Núcleos Regionais de Saúde.
O planejamento prevê a instalação de 439 conjuntos formados por câmara fria, computador e nobreak. A estrutura tem como objetivo proteger os estoques de vacinas contra problemas como quedas de energia e oscilações de temperatura.
Até o final do ano passado, 39 desses conjuntos já tinham sido instalados em unidades de Dourados, Corumbá, Três Lagoas, Maracaju, Naviraí e Nova Andradina.
A informatização também permite registrar as doses aplicadas e acompanhar a situação vacinal da população, oferecendo aos gestores informações para identificar locais que precisam de novas ações de imunização.
Segundo Frederico Moraes, coordenador de Imunização da Secretaria de Estado de Saúde, o controle da temperatura é fundamental para preservar a segurança e a eficácia dos imunizantes. Em situações como temporais e interrupções no fornecimento de energia, os municípios contam com protocolos específicos para proteger as vacinas.
Capacitação acompanha novas demandas
A ampliação da estrutura também exige profissionais preparados. Em 2025, 118 trabalhadores da saúde passaram por capacitação para aplicação da BCG, vacina indicada principalmente nos primeiros dias de vida e que exige cuidados técnicos específicos.
As equipes também precisam acompanhar a chegada de novos imunizantes ao Sistema Único de Saúde, como as vacinas relacionadas à dengue e ao vírus sincicial respiratório.
Fronteira recebe atenção especial
As regiões de fronteira estão entre as áreas que exigem maior atenção das autoridades de saúde devido à intensa circulação de pessoas. Um exemplo ocorreu em julho de 2025, quando surgiu a preocupação com a possibilidade de avanço do sarampo a partir da Bolívia.
Em resposta, uma força-tarefa foi montada em Corumbá e Ladário. Equipes passaram a atuar em diferentes pontos, incluindo praças, terminais e estabelecimentos comerciais, além do envio de doses adicionais para os municípios.
Entre as medidas adotadas esteve a aplicação da chamada “dose zero” contra o sarampo para bebês de seis a 11 meses.
Em poucas semanas, foram aplicadas 1.050 doses em Corumbá e outras 116 em Ladário. A operação também capacitou 160 profissionais e contou com o envio de 20 mil doses da vacina tríplice viral para a Bolívia, com apoio do Ministério da Saúde.
Para o governador Eduardo Riedel (PP), a prevenção precisa ser antecipada principalmente em áreas onde existe maior risco de circulação de doenças.
A estratégia dos Vacimóveis, nesse cenário, busca justamente levar a vacinação até onde a população está, reduzindo barreiras de distância e ampliando a proteção de comunidades rurais, regiões isoladas e áreas de fronteira.


