Soja de MS ganha espaço no mercado externo e exportações crescem 36,7% em um ano


Redação 12/09/2026

Mato Grosso do Sul registrou novo avanço nas exportações de soja em agosto de 2026. Apesar de o volume embarcado ter sido menor que o de julho, o Estado enviou ao exterior 530,5 mil toneladas do grão, crescimento de 36,7% em relação ao mesmo mês do ano passado.

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O desempenho financeiro também foi positivo. As vendas de soja somaram US$ 239,1 milhões, resultado 48,9% maior que o registrado em agosto de 2025.

O crescimento estadual ficou acima da média nacional. No mesmo período, o Brasil apresentou queda de 3,2% no volume exportado de soja, enquanto o valor das vendas aumentou 5%.

Na comparação com julho, entretanto, Mato Grosso do Sul teve uma redução de 43,1% nos embarques. Mesmo assim, a soja continuou entre os principais produtos da pauta exportadora estadual e terminou agosto na segunda posição, atrás da celulose.

Segundo dados da Aprosoja/MS, a celulose assumiu a liderança das exportações pela primeira vez. Na sequência aparecem soja e resíduos, enquanto a carne bovina ocupou a terceira colocação.

China concentra maior parte das compras

O mercado asiático segue como principal destino da soja sul-mato-grossense. A China respondeu por 81,2% das exportações do produto em agosto. Vietnã e Paquistão aparecem logo depois entre os principais compradores.

Para o analista de Economia da Aprosoja/MS, Linneu Borges Filho, os números demonstram a relevância da soja para o comércio exterior de Mato Grosso do Sul, mesmo com a desaceleração dos embarques na comparação mensal.

De acordo com ele, o desempenho do Estado permanece acima do observado no mercado brasileiro.

Exportações de milho despencam

Enquanto a soja apresentou crescimento, o milho teve forte retração nas exportações. Em agosto, Mato Grosso do Sul embarcou 100,1 mil toneladas do cereal, contra 498 mil toneladas registradas no mesmo mês de 2025.

A queda também foi expressiva em valores. As vendas externas passaram de US$ 99 milhões, em agosto do ano passado, para US$ 21,7 milhões neste ano.

A Aprosoja/MS avalia que os números estão relacionados, entre outros fatores, ao atraso no ciclo de exportação do milho. Além disso, uma parcela maior da produção estadual estaria sendo direcionada para o mercado interno, especialmente como matéria-prima para a indústria.

Essa mudança aproxima o setor agrícola da atividade industrial e pode aumentar o valor agregado ao cereal produzido em Mato Grosso do Sul.

Para Linneu Borges, a redução dos embarques não deve ser interpretada isoladamente como perda de importância do milho na economia estadual. Segundo o analista, o cereal vem ganhando espaço também como insumo para processos de transformação dentro do próprio Estado.

Com isso, parte da produção que antes poderia ser destinada diretamente ao mercado internacional passa a atender empresas e indústrias sul-mato-grossenses, fortalecendo o consumo interno e criando novas possibilidades de geração de valor.

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