Dólar sobe a R$ 5,16 com força dos EUA, petróleo e maior cautela nos mercados

Redação 23/09/2026
O dólar ganhou força diante do real nesta quarta-feira (23), acompanhando a valorização da moeda americana nos mercados internacionais. A combinação entre indicadores positivos da economia dos Estados Unidos, avanço do petróleo e aumento das incertezas relacionadas às negociações entre Washington e Teerã elevou a cautela dos investidores e pressionou as moedas de países emergentes.
✅ Siga no Instagram @portaldenoticiasms
No mercado brasileiro, a moeda americana chegou a superar R$ 5,15 ainda pela manhã e alcançou a máxima de R$ 5,1760 durante a tarde. No encerramento, o dólar comercial registrou alta de 1,28%, cotado a R$ 5,1682. Foi o maior valor de fechamento desde 31 de agosto, quando terminou o pregão em R$ 5,1801.
Mesmo com a alta registrada nesta sessão, o dólar ainda acumula queda de 0,23% em setembro. Em agosto, a moeda havia avançado 2,16%. No acumulado de 2026, a cotação permanece 5,84% abaixo do nível registrado no início do ano.
O movimento de alta ocorreu em meio à divulgação de indicadores que reforçaram a percepção de que a economia americana continua apresentando um ritmo elevado de atividade. A prévia do PMI composto dos Estados Unidos, calculado pela S&P Global e que reúne os setores industrial e de serviços, avançou em setembro além do esperado e atingiu o maior nível em 62 meses.
Para Nicolas Gomes, especialista em câmbio da Manchester Investimentos, os dados de atividade dos Estados Unidos tiveram papel importante na movimentação do dólar. Segundo ele, a economia americana aquecida aumenta as preocupações com a inflação e pode influenciar as expectativas sobre os próximos passos do Federal Reserve.
Outro fator relevante foi o petróleo. Depois de cinco sessões consecutivas de queda, os preços voltaram a subir diante da falta de avanços nas negociações entre Estados Unidos e Irã. A retomada das tensões no Oriente Médio aumentou a percepção de risco e trouxe novamente preocupações relacionadas ao fornecimento de energia.
O contrato do Brent para novembro terminou o dia com alta de 2,84%, aos US$ 98,12 por barril. No mercado eletrônico, a valorização chegou a superar 4%, levando a cotação para acima de US$ 100 em determinado momento.
Rumores de que o governo americano poderia restringir por 90 dias as exportações de diesel também contribuíram para aumentar a volatilidade. A informação, porém, foi posteriormente negada pela Casa Branca.
A alta dos preços da energia também repercutiu sobre os títulos do governo americano. Os rendimentos dos Treasuries avançaram, com a taxa da T-note de dez anos alcançando o maior nível desde julho de 2007. Já o rendimento do título de 30 anos atingiu o patamar mais elevado em 22 anos.
O movimento dos juros americanos ajudou a fortalecer o dólar no exterior. O índice DXY, que acompanha a moeda americana contra uma cesta de seis moedas importantes, avançou 0,50% e ultrapassou os 101 pontos. Durante o pregão, chegou a 101,231 pontos, nos maiores níveis desde o fim de julho.
Na avaliação de Vitor Kayo, economista sênior da Nomad, os números divulgados reforçam a percepção de resiliência da economia dos Estados Unidos. O cenário mantém o combate à inflação como uma preocupação central do Federal Reserve e aumenta a importância dos próximos indicadores econômicos para a formação das expectativas dos mercados.
No Brasil, o desempenho do real foi relativamente menos negativo que o observado em algumas outras moedas latino-americanas. A valorização do petróleo, embora aumente as preocupações inflacionárias, também pode favorecer os termos de troca brasileiros por causa da posição do país como exportador da commodity.
O ambiente doméstico também permanece influenciado pelo cenário político. Pesquisa Atlas/Bloomberg divulgada pela manhã apontou empate técnico entre o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) e o senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) em uma eventual disputa de segundo turno.
Com a combinação de juros americanos elevados, petróleo em alta e maior aversão ao risco no exterior, o mercado cambial brasileiro encerrou a sessão sob pressão. Ainda assim, o desempenho acumulado do real no ano permanece positivo, apesar da forte valorização do dólar registrada nesta quarta-feira.


