Justiça mantém prisão de ex-presidente da Santa Casa de Campo Grande


Redação 23/09/2026

A Justiça de Mato Grosso do Sul negou dois pedidos de liberdade apresentados pela defesa de Alir Terra Lima, presidente da Santa Casa de Misericórdia de Campo Grande. Presa desde 11 de setembro, ela é investigada por suspeita de participação em um esquema de corrupção envolvendo contratos do hospital.

✅ Siga no Instagram @portaldenoticiasms

A defesa havia solicitado ao Núcleo de Garantias, responsável pela autorização da operação, a revogação da prisão preventiva ou a substituição por prisão domiciliar. Na decisão, a juíza May Melke Penteado Siravegna destacou que os 71 anos de idade, por si só, não constituem fundamento legal para a mudança do regime prisional. Também apontou que não foi apresentado comprovante de problema grave de saúde.

Apesar de manter a prisão, a magistrada determinou que Alir tenha acesso a tratamento médico e aos medicamentos necessários no Presídio Militar Estadual.

Outro pedido foi analisado pelo Tribunal de Justiça de Mato Grosso do Sul (TJMS). O desembargador José Ale Ahmad Netto, da 2ª Câmara Criminal, rejeitou o pedido liminar apresentado em habeas corpus que buscava a revisão da prisão. A análise do mérito ainda deverá passar pelos demais integrantes da turma.

Procurada pelo Jornal Portal de Notícias MS, a defesa informou que avalia quais medidas serão adotadas nos próximos passos do processo.

Na quarta-feira (23), também foi divulgada a decisão do Núcleo de Garantias que manteve a prisão de Rinaldo Hakme Romano, diretor financeiro da Santa Casa.

Operação investiga suspeitas de fraudes em contratos

As prisões ocorreram em 11 de setembro, durante a Operação Antidotum, deflagrada pelo Ministério Público de Mato Grosso do Sul (MPMS), por meio do Grupo Especial de Combate à Corrupção (Gecoc) e do Grupo de Atuação Especial de Repressão ao Crime Organizado (Gaeco).

A ação investiga um suposto esquema de fraudes e desvios de recursos em contratos ligados à Santa Casa de Misericórdia de Campo Grande. Ao todo, foram cumpridos seis mandados de prisão preventiva e 36 mandados de busca e apreensão em Campo Grande, Dourados e Goiânia (GO).

Entre os alvos estão Alir Terra Lima, ex-presidente da Santa Casa; Paulo Guilherme Guttierrez Mariosa, diretor-adjunto de finanças; Rinaldo Hakme Romano, diretor financeiro; Alessandro Dias Junqueira, diretor administrativo; Monique Gregório de Oliveira, coordenadora do Serviço de Arquivamento Médico e Estatística; e o empresário Maurício Aparecido Benites.

Segundo as investigações, teriam ocorrido irregularidades em um contrato firmado pela Associação Beneficente Santa Casa de Campo Grande (ABCG), mantenedora do hospital, para serviços de digitalização de prontuários. O Ministério Público aponta que pagamentos elevados teriam sido realizados sem a correspondente prestação dos serviços.

O contrato previa pagamentos de R$ 1,8 milhão por ano durante três anos, chegando a R$ 5,4 milhões. Conforme o apurado na investigação, somente no primeiro ano, o suposto desvio teria alcançado R$ 1,4 milhão.

As investigações também identificaram suspeitas de irregularidades em contratos da operadora Santa Casa Saúde com empresas que, segundo o Gecoc, fariam parte do mesmo grupo. Conforme o Ministério Público, os estabelecimentos tinham o mesmo endereço e estariam relacionados a pessoas com vínculos com integrantes da diretoria da Santa Casa, embora o imóvel indicado estivesse desocupado.

Somente em 2025, ainda de acordo com a investigação, a Santa Casa Saúde teria realizado pagamentos de R$ 9,6 milhões a essas empresas. O prejuízo estimado até o momento seria de pelo menos R$ 3,5 milhões.

Compartilhe