Astrônomos detectam pela primeira vez ondas de rádio emitidas por um exoplaneta


Redação 24/09/2026

Uma equipe internacional de pesquisadores conseguiu identificar, pela primeira vez, ondas de rádio diretamente associadas a um planeta localizado fora do Sistema Solar. O feito envolve cientistas do Center for Astrophysics Harvard & Smithsonian e da Universidade de Oregon e pode abrir uma nova forma de investigar as características de mundos muito distantes.

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O alvo da observação foi Beta Pictoris b, um gigante gasoso situado a cerca de 63 anos-luz da Terra e que orbita uma estrela conhecida como Beta Pictoris.

Os sinais foram registrados pelo radiotelescópio MeerKAT, na África do Sul, durante quatro observações realizadas entre 2025 e 2026. Os pesquisadores identificaram emissões em frequências que variam de 0,85 a 3,5 GHz, incluindo pulsos rápidos e repetitivos, além de uma emissão mais persistente.

Como os cientistas identificaram a origem do sinal

Detectar ondas de rádio em sistemas que possuem exoplanetas não é algo completamente inédito. O grande obstáculo, porém, era descobrir se a emissão vinha realmente do planeta ou de sua estrela.

Para solucionar essa dificuldade, os pesquisadores utilizaram quásares, objetos extremamente brilhantes e distantes que podem funcionar como referências precisas para determinar posições no céu.

Com essa técnica, foi possível localizar a origem das ondas próximas a Beta Pictoris b e diferenciá-la da posição da estrela hospedeira. Outro elemento importante foi a forte polarização circular observada nos sinais, característica que ajudou a confirmar a origem planetária da emissão.

Sinais podem estar relacionados a uma aurora

De acordo com os pesquisadores, as propriedades observadas são compatíveis com um mecanismo conhecido como instabilidade máser de cíclotron eletrônico (ECMI). Esse processo ocorre quando partículas eletricamente carregadas interagem com campos magnéticos.

Fenômenos semelhantes estão por trás das auroras observadas em planetas do Sistema Solar, como a Terra e Júpiter. A diferença é que, neste caso, os cientistas conseguiram identificar evidências desse processo associado diretamente a um exoplaneta.

A descoberta também permitiu estimar a intensidade do campo magnético de Beta Pictoris b, uma característica extremamente difícil de medir em um planeta localizado a dezenas de anos-luz.

Um campo magnético milhares de vezes mais forte que o da Terra

Descoberto em 2008, Beta Pictoris b possui aproximadamente dez vezes a massa de Júpiter. A análise das emissões de rádio indica que seu campo magnético é muito intenso, chegando a ser milhares de vezes mais forte que o campo magnético terrestre.

Os pesquisadores relacionam essa intensa atividade magnética, entre outros fatores, à rápida rotação do planeta. Beta Pictoris b leva apenas cerca de oito a nove horas para completar uma volta em torno de seu próprio eixo.

A observação representa um avanço importante no estudo de exoplanetas porque demonstra que ondas de rádio podem revelar características físicas desses mundos mesmo quando eles estão extremamente distantes. A técnica poderá complementar métodos tradicionais, que utilizam principalmente observações nas faixas visível e infravermelha do espectro eletromagnético.

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