Idade não é impedimento para doação de órgãos em vida, mas saúde é fator decisivo

Redação 25/09/2026
Ter idade avançada não significa, necessariamente, estar impedido de doar um órgão em vida. Durante a campanha Setembro Verde, o enfermeiro Guilherme Fernandes, coordenador da equipe de Doação de Órgãos e Tecidos do Hospital Universitário Maria Aparecida Pedrossian (Humap-UFMS), explica que pessoas idosas também podem ser avaliadas para o procedimento.
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A possibilidade de doação é analisada individualmente por uma equipe especializada. Antes da cirurgia, o potencial doador passa por uma série de avaliações, que podem incluir exames de sangue e urina, análise da função renal, exames de imagem e avaliação do sistema cardiovascular.
Além desses resultados, os profissionais levam em consideração as condições gerais de saúde, a expectativa de vida e os riscos que o procedimento pode representar. A prioridade é garantir que a retirada do órgão não comprometa a saúde ou a qualidade de vida do doador.
Entre as possibilidades de doação em vida estão um dos rins, parte do fígado, parte do pulmão e a medula óssea. Para a doação de rim, não existe uma idade máxima estabelecida para o doador, mas a condição clínica precisa ser compatível com a realização do procedimento.
Já para a doação de parte do fígado existem critérios etários específicos. Segundo as informações apresentadas pelo especialista, são considerados aptos, nesse caso, doadores entre 16 e 50 anos.
A legislação brasileira também estabelece regras sobre quem pode receber um órgão de um doador vivo. A doação pode ser realizada entre parentes de até quarto grau e entre cônjuges sem a necessidade de autorização judicial. Quando não existe esse vínculo familiar ou conjugal, a doação pode ocorrer, mas depende de autorização da Justiça.
Independentemente do grau de parentesco, a segurança do doador é um dos principais critérios para a realização do procedimento. A retirada do órgão somente deve ocorrer quando houver avaliação médica favorável e não houver expectativa de prejuízo à saúde do voluntário.
Os números reforçam a importância da conscientização sobre o tema. No ano passado, o Brasil registrou 4.335 doadores efetivos de órgãos, o maior número já registrado na série histórica. Ao mesmo tempo, 49.489 pessoas aguardavam por um transplante.
Realizada durante o Setembro Verde, a campanha busca ampliar o debate sobre a doação de órgãos e esclarecer dúvidas da população. No caso dos doadores vivos, a avaliação é individual e depende das condições de saúde e dos critérios definidos pelas equipes responsáveis pelo transplante.


