Estresse e excesso de cobranças: psicóloga explica como identificar sinais de sobrecarga e proteger a saúde


Redação 27/09/2026

A pressão no trabalho, as preocupações financeiras, as responsabilidades familiares e a falta de descanso podem transformar o estresse em uma presença constante na vida de muitas pessoas. Quando não há tempo suficiente para se recuperar das exigências diárias, os efeitos podem atingir tanto a saúde física quanto o equilíbrio emocional.

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A psicóloga organizacional e do trabalho Glaucia Mello Sanches, do Hospital Universitário Maria Aparecida Pedrossian (Humap-UFMS), integrante da HU Brasil, explica quais sinais merecem atenção, em que momento o estresse pode se tornar um problema de saúde e o que pode ser feito para diminuir a sobrecarga.

Estar sempre disponível aumenta a pressão

A rotina profissional cada vez mais acelerada faz com que muitas pessoas permaneçam conectadas mesmo depois de encerrar o expediente. Responder a mensagens de trabalho durante o descanso ou continuar pensando nas tarefas pendentes em casa são situações que dificultam a separação entre a vida pessoal e profissional.

Com isso, a disponibilidade constante pode passar a ser vista como algo normal, mesmo quando prejudica os momentos de descanso.

Irritabilidade e cansaço podem indicar excesso de estresse

O estresse exerce uma função natural de alerta diante de situações que exigem atenção. Entretanto, quando a pressão se prolonga e a pessoa não consegue administrar o próprio tempo, esse mecanismo pode contribuir para o adoecimento.
Um dos sinais de sobrecarga é a dificuldade de lidar com imprevistos, acompanhada de reações de irritabilidade desproporcionais diante de pequenas mudanças na rotina.

A qualidade do sono também pode ser afetada. Despertar repetidamente durante a madrugada pensando em problemas profissionais impede uma recuperação adequada e pode favorecer o surgimento de ansiedade antes mesmo do início do expediente.

Quando é necessário procurar ajuda?

É importante procurar apoio profissional quando as pausas deixam de ser suficientes para recuperar a disposição, as tentativas de aliviar o estresse não funcionam ou os sintomas começam a prejudicar os relacionamentos e outras atividades do cotidiano.
A especialista também chama a atenção para a necessidade de não responsabilizar exclusivamente o trabalhador pelo próprio adoecimento.
As condições do ambiente profissional precisam ser consideradas. Cabe às lideranças organizar as demandas de maneira viável, reconhecer fatores que provocam sobrecarga e estabelecer medidas para prevenir o agravamento dos problemas.

Família e convivência ajudam a reconhecer os limites

O apoio familiar pode fazer diferença nos períodos de maior pressão. Dividir as responsabilidades domésticas, reservar tempo para atividades em conjunto e manter o diálogo são formas de fortalecer os vínculos e evitar o isolamento.
As pessoas próximas também podem perceber mudanças de comportamento e sinais de esgotamento antes que o próprio trabalhador reconheça a gravidade da situação.
Por isso, o ambiente familiar deve representar um espaço de acolhimento, no qual seja possível deixar de lado as obrigações profissionais e dedicar atenção à vida pessoal.

Descanso é uma necessidade, não um luxo

Entre as medidas para reduzir a sobrecarga está a criação de limites claros para o trabalho, incluindo a diminuição das interrupções fora do expediente. Silenciar notificações desnecessárias e reservar períodos para descansar são atitudes que podem ajudar a recuperar a atenção e a disposição.

Mais do que buscar momentos pontuais de relaxamento, a proposta é construir uma rotina que permita conciliar as responsabilidades com o descanso, a autonomia e o desenvolvimento pessoal.
A prevenção do estresse, portanto, depende tanto de mudanças nos hábitos individuais quanto de condições de trabalho que respeitem os limites dos profissionais.

Sobre a HU Brasil

O Hospital Universitário Maria Aparecida Pedrossian (Humap-UFMS) integra a HU Brasil desde dezembro de 2013. A estatal, vinculada ao Ministério da Educação (MEC), foi criada pela Lei nº 12.550/2011, inicialmente com o nome de Empresa Brasileira de Serviços Hospitalares (Ebserh).
Atualmente, a HU Brasil é responsável pela administração de 47 hospitais universitários federais distribuídos em 25 unidades da Federação.

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